A 1 de dezembro de 2024, António Costa tornou-se o quarto presidente a tempo inteiro do Conselho Europeu, tendo escolhido Kiev como o destino do seu primeiro dia em funções. “Viemos para enviar uma mensagem clara: estamos ao lado da Ucrânia e continuamos a dar-lhe todo o nosso apoio”, disse na capital ucraniana. Dois dias antes, na cerimónia de passagem de testemunho do seu antecessor, o belga Charles Michel, Costa já tinha dito que Europa pretende nos seus dois anos e meio de mandato (que podem ser renovados). “A unidade da Europa na diversidade é notável. E enraizados na força da nossa vontade comum e inabalável”, referiu o primeiro português e o primeiro socialista a assumir este cargo. “Como presidente do Conselho Europeu, assumirei como missão diária construir esta unidade e valorizar a nossa diversidade natural.”“Só juntos poderemos defender a segurança, a estabilidade e a paz no nosso continente. Só juntos poderemos alcançar a prosperidade partilhada, o crescimento económico e a transição climática. Só juntos poderemos fazer ouvir a voz da Europa na cena internacional. Portanto, a unidade é a força vital da União Europeia”, sublinhou Costa, mas deixando bem claro que “não devemos ignorar as nossas diferenças de opinião, nem tratá-las como um problema”. A questão da Ucrânia, como provou na visita a Kiev há um ano, tem sido uma das bandeiras de Costa, que considerou que a paz naquele país “não pode ser a dos cemitérios”, apelando a um esforço para autonomizar a União Europeia em matéria de defesa e segurança. Mas neste capítulo, e nos últimos meses, o português não fez tem feito jus à fama de “mestre da negociação que se destaca na criação de acordos nos bastidores”, como o descreveu Andrew Bernard, investigador visitante no Centro para a Europa do Atlantic Council, ao falhar no Conselho Europeu de outubro um acordo para o uso de ativos russos congelados para um empréstimo de 140 mil milhões de euros à Ucrânia, em grande parte devido à oposição da Bélgica, país que acolhe a esmagadora maioria destes bens. Agora, a Europa está numa corrida contra o tempo para conseguir o tal acordo até à próxima reunião dos líderes dos 27, marcada para 18 de dezembro. Para Costa há também uma “urgência geopolítica” em cumprir o alargamento da UE, lembrando que este “reforçará indubitavelmente” o bloco, mas pedindo que seja concretizado “sem prazos artificiais” e “obstáculos indevidos”. Aqui o português também ainda não conseguiu ultrapassar um obstáculo chamado Hungria. que tem bloqueado o caminho à adesão da Ucrânia e, consequentemente, da Moldova, já que os dois processos estão ligados, apesar de já ter proposto aos 27 formas para contornar o veto de Budapeste, mas sem sucesso. O cargo de presidente do Conselho Europeu é em grande medida moldado pela pessoa que o ocupa, tendo Costa mostrado neste ano ter uma abordagem diferente dos seus antecessores, como já vaticinava Andrew Bernard ao apontar que o português deveria ser “um articulador mais altruísta para o Conselho e para toda a UE, em contraste com Michel, que irritou os líderes com a sua autopromoção”. Neste ano, o português tem consolidado a relação com os líderes europeus - muitos deles já seu conhecidos dos seus quase dez anos como primeiro-ministro -, mas também aquilo a que chamou de Volta das Capitais, visitando os líderes dos 27 nos seus países durante o mês de setembro, algo já fez por duas vezes (na primeira, em 2024, já tinha sido nomeado, mas ainda não tinha tomado posse). António Costa ajustou igualmente os métodos de trabalho do Conselho Europeu e melhorou as relações entre as instituições da UE. Neste último caso, as relações entre o Conselho e a Comissão Europeia melhoraram substancialmente quando comparadas com o mandato de Charles Michel. Costa já chegou a Bruxelas com uma relação próxima com Ursula von der Leyen, desenvolvida em grande parte durante a pandemia, e, desde então, os dois têm-se mostrado alinhados. Aliás, a alemã, logo nas primeiras semanas de mandato, agradeceu ao português pela “excelente cooperação”. Também as alterações nos métodos de trabalho do Conselho foram vistas com agrado pelos líderes dos 27: as cartas convite para as reuniões são enviadas cerca de duas semanas antes, e não à última hora como com os seus antecessores, e já incluem os tópicos que estarão em discussão; e tem vindo ainda a implementar uma redução da duração das mesmas para apenas um dia (apesar de agenda contemplar dois). .António Costa e Von der Leyen esperam que plano de Trump abra caminho a paz duradoura em Gaza .António Costa saúda 50 anos da independência de Angola e espera "parceria cada vez mais forte" com UE