Quatro meses depois de o Partido Popular (PP) ter vencido as eleições na Extremadura, María Guadiola foi esta quarta-feira (22 de abril) finalmente investida presidente desta comunidade autónoma graças a um acordo de governação com o Vox. Um texto de 23 páginas que inclui a expressão “prioridade nacional”, seja no acesso a ajudas sociais ou a casas, que a extrema-direita interpreta como os “espanhóis primeiro” e o PP como dar “prioridade às raízes”. Uma diferença que ficou patente no Congresso dos Deputados, onde o partido de Alberto Núñez Feijóo votou contra uma moção que pretendia aplicar esse conceito a nível nacional (depois de a formação de Santiago Abascal ter rejeitado as emendas propostas).O Vox denunciou a “incoerência” e ameaçou outros acordos de coligação - mas acabou por chegar também a um entendimento em Aragão para eleger Jorge Azcón (PP), faltando apenas resolver Castela e Leão. O acordo na Extremadura surge depois de ter fracassado nas duas primeiras sessões de investidura, numa altura em que já se estava em contagem decrescente para ter de se repetir eleições (faltavam 12 dias). Guardiola contou finalmente com o apoio dos 29 deputados regionais do PP, além dos 11 do Vox, com este partido a assumir as pastas da Desregulação, Serviços Sociais e Família (com o estatuto de vice-presidência) e Agricultura, Pecuária e Ambiente Natural.Guardiola, que tinha antecipado as eleições para tentar livrar-se do Vox e rejeitava a ideia de um acordo com o partido de Abascal, acabou por ceder. “Não vou pedir perdão por governar com o Vox”, disse ontem, admitindo que o acordo “gerou ruído”. Para o PP a ideia de “prioridade nacional” não significa os espanhóis primeiro, como defende o Vox. Mas um “laço real e prolongado” com a Extremadura. Isso significa que um extremenho que viva há dez anos fora da sua região natal e agora regresse não terá acesso às ajudas para comprar casa, por exemplo, ao contrário de um marroquino ou venezuelano que ali tenha estado durante o mesmo período. A leitura do Vox seria inconstitucional, já que a Constituição espanhola proíbe a discriminação por nascimento (entre outras), mas também violaria a Lei dos Estrangeiros (que prevê direitos iguais no acesso aos apoios). Isso implica que as comunidades autónomas não teriam capacidade para implementar essa medida. .Extrema-direita volta a entrar num governo em Espanha, na Extremadura