O barómetro do Centro de Investigações Sociológicas (CIS), um organismo público espanhol, volta a surgir em fevereiro em contraciclo de todas as sondagens dos institutos privados. Os dados, conhecidos esta segunda-feira (16 de fevereiro), colocam o PSOE do primeiro-ministro Pedro Sánchez com 32,6% das intenções de voto, nove décimas acima do número de janeiro e quase dez pontos à frente do Partido Popular de Alberto Núñez Feijóo, que caiu uma décima para os 22,9%. O PP lidera todas as outras sondagens para as eleições em Espanha, previstas só para 2027.Dois exemplos: a do NC Report para o La Razon, também conhecida esta segunda-feira (16 de fevereiro), dá apenas 25,9% das intenções de voto aos socialistas, com o PP à frente com 33,1%. Já a da SocioMétrica, para o El Español, põe o partido de Sánchez nos 25%, enquanto o de Feijóo surge com 32,1%. .Sondagem do CIS: PSOE sobe e já está a quase dez pontos do PP.A média das últimas sondagens privadas, feita pelo site electocracia.com, dá ao PP precisamente 32,1% das intenções de voto (ligeiramente acima dos 31,68% que teve nas eleições de julho de 2023), com o PSOE a ficar-se pelos 26,2% (abaixo dos 31,68% que conseguiu há três anos nas urnas). A sondagem do CIS de fevereiro, feita com base em 4027 entrevistas e com uma margem de erro de 1,6% (para um nível de confiança de 95,5%), foi realizada entre 2 e 6 de fevereiro.Em vésperas de um novo revés eleitoral para os socialistas nas autonómicas em Aragão - onde o PP também caiu, apesar da vitória, e o Vox duplicou o número de representantes regionais. E já depois do choque entre dois comboios de alta velocidade perto de Adamuz, na província de Córdoba, ter feito 46 mortos. Este acidente, junto com outros na mesma semana, levantou questões sobre a gestão das infraestruturas, com os próprios aliados do governo a defenderem a necessidade de uma autocrítica da parte de Sánchez. Mas nada disso surge refletido no barómetro. “O que o CIS faz é corrupção”, disse ontem a vice-secretária-geral do PP, Carmen Fúnez.A sondagem do CIS tem sido questionada desde que o sociólogo socialista José Félix Tezanos assumiu a liderança deste organismo público, em 2018. Tezanos disse ter acabado com o “cozinhar” dos dados, alegando que o fim do bipartidarismo obrigava a mudanças, mas tem sido acusado de ele próprio os cozinhar, mostrando quase sempre o PSOE (e a esquerda) com uma intenção de voto acima do que as outras sondagens apontam - aconteceu em 43 de 44 eleições desde que Tezanos assumiu o cargo, segundo o El País. O CIS também alegadamente inflaciona os números do Vox, colocando-o mais próximo do PP do que outras sondagens. No barómetro de fevereiro, o partido de Santiago Abascal alcança os 18,9%, uma subida de 1,2 pontos desde janeiro, voltando a repetir os números de julho de 2025 - os melhores alguma vez alcançados no CIS. Nas outras duas sondagens conhecidas esta segunda-feira (16 de fevereiro), o Vox surge com 18,1% e 18,4% das intenções de voto. Nas eleições de 2023, o partido de extrema-direita teve 12,4%. À esquerda do PSOE o cenário não é positivo. O Sumar de Yolanda Díaz, atual parceiro de Governo de Sánchez, perde 0,2 pontos e ficaria nos 7% das intenções de voto, segundo o CIS (6% no NC Report e 7,2% na SocioMétrica). O Podemos, que nas eleições de julho de 2023 foi a votos com o Sumar, subiria 0,4 pontos até aos 3,9% (4,3% e 4,2% nas duas outras sondagens). Nas legislativas de 2023, a aliança entre estes dois blocos rendeu 12,33%. O futuro da esquerda define-se esta semana em Espanha. No sábado, 21 de fevereiro), será anunciada uma nova coligação para concorrer às eleições de 2027 (num tom irónico há quem defenda que Sánchez deve antecipá-las, confiando nos números do CIS). Sob o lema “Um passo em frente”, a Esquerda Unida, o Más Madrid, os Comunes e o Movimento Sumar (os quatro aliados do governo) vão lançar o projeto num evento na capital espanhola. A incógnita é saber se Yolanda Díaz estará ou não presente. O Podemos de Ione Belarra está convidado, mas já disse que não vai participar nesta nova aliança - saiu da anterior em dezembro de 2023.O barómetro do CIS não avalia só as intenções de voto dos espanhóis, questiona também, por exemplo, quem preferem à frente do Governo. Há 25,3% dos inquiridos que dizem nenhum dos atuais líderes, com outros 25,3% a preferirem Sánchez, 10,2% Abascal e 9,9% Feijóo. O CIS revela ainda que a habitação é o principal problema para 42,8% dos eleitores, com a imigração a surgir em segundo com 20,3% (mais 4,4 pontos do que há um mês e já depois do anúncio da legalização de meio milhão de imigrantes).