Cinco jornalistas e ativistas críticos de Putin declarados "agentes estrangeiros"

Até à data, esta lista de "agentes estrangeiros" era composta por dez órgãos de comunicação social e uma organização.

A Rússia declarou esta segunda-feira, pela primeira vez, cinco reconhecidos críticos do presidente Vladimir Putin, três jornalistas e dois ativistas, como "agentes estrangeiros".

Estas cinco pessoas passam a integrar esta lista porque trabalham ou colaboram com órgãos de comunicação social que são considerados por Moscovo como "agentes estrangeiros", uma vez que são, de acordo com as autoridades russas, financiados a partir de países estrangeiros.

De acordo com uma lei aprovada no final de 2019, estas cinco pessoas terão agora de referenciar em todos os seus trabalhos jornalísticos que são "agentes estrangeiros".

O reconhecido e veterano defensor dos direitos humanos Lev Ponomariov e o jornalista Sergey Markelov são dois dos nomes que passam a constar na lista elaborada pelo Ministério da Justiça russo.

Os outros três nomes são o da repórter da Rádio Liberdade, Liudmila Savitskaya, o da ativista e artista Daria Apajonchich e o do diretor do jornal online Pskóvskaya Gubernia, Denis Kamaliaguin.

Até à data, esta lista de "agentes estrangeiros" era composta por dez órgãos de comunicação social e uma organização.

Entre estes figuravam, por exemplo, a emissora de rádio Voz da América, um dos serviços nacionais da Rádio Liberdade e o canal Nastoyaschee vremia.

Os autores da lei, que foi uma iniciativa do partido de Putin (Rússia Unida), defendem que o diploma permite limitar a interferência estrangeira nos assuntos internos do país.

Recentemente, a Duma (câmara baixa do Parlamento russo) aprovou outra lei que visa declarar como "agentes estrangeiros" todas as pessoas que se envolvam em atividades políticas, como comícios ou observação de eleições, no interesse de Estados estrangeiros e que recebam financiamento proveniente do exterior.

Esta lei também permitir classificar como "agentes estrangeiros" jornalistas oriundos de outros países credenciados na Rússia que façam trabalhos "incompatíveis com a respetiva atividade profissional".

As pessoas classificadas como "agentes estrangeiros" não podem ocupar cargos na função pública russa ou ter acesso a informações relacionadas com o Estado russo.

O presidente defendeu a aplicação destes novos diplomas, argumentando que estes reproduzem práticas existentes em outros países.

Já a oposição russa acusa a Duma de estar a aproveitar a atual crise pandémica para restringir as liberdades políticas antes das eleições legislativas previstas para 2021.

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