Putin considera cimeira "construtiva" e "sem animosidades". Biden fala em tom "positivo"

Presidentes de Estados Unidos e Rússia estiveram reunidos menos de três horas e chegaram a acordo para um diálogo em matéria de cibersegurança

Os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin, terminaram os trabalhos da cimeira que decorreu em Genebra, anunciou esta quarta-feira a Casa Branca, encerrando a reunião mais cedo do que se previa.

Biden e Putin estiveram reunidos menos de três horas, primeiro numa sessão menor, com os dois presidentes e os chefes da diplomacia, e depois numa outra com a participação das delegações dos dois países e que demorou 01:05 minutos.

O Presidente russo, Vladimir Putin, considerou que o seu primeiro encontro com o homólogo norte-americano, Joe Biden, foi "construtivo", tendo em pano de fundo as tensões bilaterais.

"Não houve qualquer animosidade", sublinhou Putin numa conferência de imprensa realizada em Genebra, onde decorreu a cimeira entre ambos.

"Em muitas questões as nossas avaliações divergem, mas as duas partes mostraram o desejo de se entender e de procurar formas de reconciliar posições", acrescentou.

Por outro lado, Putin indicou ter definido com Biden o regresso dos embaixadores dos dois países aos seus postos respetivos numa tentativa para diminuir as tensões bilaterais.

Os dois embaixadores foram chamados aos seus países no início do ano. "[Os embaixadores] vão voltar ao seu local de trabalho. Quando exatamente é uma questão puramente técnica", declarou o Presidente russo na conferência de imprensa.

Putin adiantou também que os dois presidentes chegaram a um acordo para um diálogo em matéria de cibersegurança.

Já o Presidente norte-americano, Joe Biden, indicou que o tom da cimeira com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, foi "positivo", mas assegurou ter advertido contra qualquer interferência nas eleições norte-americanas.

"Disse claramente que não toleraremos tentativas de violação da nossa soberania democrática ou de desestabilização das nossas eleições democráticas, e que responderemos", declarou Joe Biden em conferência de imprensa após o seu encontro com Putin.

O chefe da Casa Branca também indicou ter abordado questões relacionadas com os direitos humanos, incluindo os casos de dois norte-americanos que considerou estarem "erradamente detidos" na Rússia.

Biden manifestou preocupações sobre casos como Alexei Navalny, o líder da oposição a Putin que se encontra numa colónia penal, e que prosseguirá a abordar questões sobre "direitos humanos fundamentais, porque é isso que nós somos".

Na conferência de imprensa, o Presidente norte-americano optou assim por denunciar as "comparações ridículas" de Putin sobre os direitos humanos.

Ao responder a uma longa argumentação do seu homólogo, Biden considerou que o seu interlocutor de hoje estabeleceu uma falsa equivalência entre um ataque "de criminosos" ao Capitólio em Washington e as manifestações pacíficas de pessoas privadas da sua liberdade de expressão na Rússia.

O Presidente dos EUA também transmitiu a Putin a possibilidade de cooperação em "áreas de estabilidade estratégica", segundo as suas declarações após o encontro de cerca de três horas com o líder do Kremlin.

Neste contexto, assegurou que Putin "não procura uma Guerra fria" com os Estados Unidos, e numa referência a recentes ataques informáticos nos Estados Unidos alegadamente provenientes da Rússia, disse ter explicado ao seu homólogo que "certas infraestruturas críticas deverão permanecer intocáveis, seja por meios cibernéticos ou outros".

"Forneci-lhe uma lista" de 16 entidades específicas que abrangem "desde o setor da energia aos nossos sistemas de distribuição de água", destacou Biden.

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