China "opõe-se veementemente" aos contactos militares entre Taiwan e EUA

Esta é a reação do Governo chinês depois de a líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, confirmar a presença militar dos EUA na ilha "para treinar tropas taiwanesas".

O Governo chinês criticou esta quinta-feira a presença de soldados norte-americanos em Taiwan, após a líder do território ter confirmado oficialmente aquela informação, numa altura de crescente tensão entre Pequim e Taipé.

"Opomo-nos veementemente a qualquer forma de intercâmbio oficial e contacto militar entre os Estados Unidos e Taiwan", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Wang Wenbin, em conferência de imprensa.

Nas últimas semanas, a China aumentou as incursões aéreas perto de Taiwan, o que fez com que a tensão entre Taipé e Pequim aumentasse para o nível mais alto em quatro décadas, segundo o ministro de Defesa da ilha.

A líder de Taiwan, Tsai Ing-wen, confirmou hoje, pela primeira vez, que os Estados Unidos têm presença militar na ilha, "para treinar tropas taiwanesas", corroborando informações recentemente publicadas pela imprensa norte-americana.

Em entrevista à cadeia televisiva norte-americana CNN, Tsai destacou que há uma "ampla gama de cooperação" com os EUA para "aumentar a capacidade de defesa" de Taiwan, mas evitou especificar o número de soldados norte-americanos destacados na ilha, limitando-se a dizer que são "menos do que se acredita".

No início deste mês, o jornal The Wall Street Journal revelou que um destacamento formado por cerca de vinte membros das forças especiais e do Corpo de Fuzileiros Navais está destacado na ilha há pelo menos um ano para treinar o Exército local.

Trata-se da primeira vez que Taiwan reconhece publicamente a presença de militares norte-americanos, desde a partida da última guarnição dos Estados Unidos, em 1979, quando Washington reconheceu o governo da China comunista, em detrimento de Taiwan.

Tsai garantiu que a ameaça de Pequim "cresce a cada dia".

Na semana passada, o Presidente norte-americano, Joe Biden, declarou que os Estados Unidos "têm o compromisso" de defender militarmente Taiwan, caso a China decida atacar a ilha.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

O nome oficial de Taiwan é República da China.

Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso a ilha declare formalmente a independência.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG