O porta-voz da Câmara dos Comuns do Parlamento britânico explicou esta quarta-feira, 25 de fevereiro, ter transmitido à Polícia Metropolitana informações de que Peter Mandelson planeava fugir do país, depois de receber informações “de boa-fé”. Com base nesta denúncia, o ex-embaixador do Reino Unido em Washington foi detido na segunda-feira em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, investigação ligada ao arquivo de Jeffrey Epstein divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, como emails e documentos financeiros relacionando Mandelson ao criminoso sexual norte-americano. “Para evitar qualquer especulação imprecisa, gostaria de confirmar que, ao receber a informação, considerei relevante transmiti-la à Polícia Metropolitana de boa-fé, como é meu dever e responsabilidade”, disse esta quarta-feira Lindsay Hoyle numa declaração aos deputados. De acordo com os media britânicos, a Polícia Metropolitana foi informada na segunda-feira de que Mandelson se preparava para deixar o Reino Unido rumo às Ilhas Virgens Britânicas e deteve-o, tendo libertado a antiga estrela trabalhista sob fiança na madrugada de terça-feira, cerca das duas da manhã. Inicialmente suspeitou-se que o autor da denúncia havia sido Michael Forsyth, o líder da Câmara dos Lordes, da qual Peter Mandelson fez parte entre outubro de 2008 e o passado dia 4 de fevereiro, data da sua renúncia devido à polémica em torno da sua amizade com Epstein, tendo-se desfiliado também do Partido Trabalhista. Algo que foi negado na terça-feira por Forsyth, através do seu porta-voz, indicando que “qualquer sugestão de que o presidente da Câmara dos Lordes tenha recebido informações sobre os movimentos de Lord Mandelson ou comunicado tais informações ao Serviço de Polícia Metropolitana é totalmente falsa e sem fundamento”. Numa mensagem que partilhou com os seus amigos cerca de duas horas depois de ser libertado, e citada pelo Guardian, Mandelson notou que “apesar do acordo prévio entre a polícia e a equipa jurídica sobre um depoimento voluntário no início de março, a polícia deteve-me porque alegou que eu estava prestes a fugir para as Ilhas Virgens Britânicas e a fixar residência permanente no estrangeiro, deixando para trás Reinaldo [Ávila da Silva, o marido], a minha família, a minha casa e o Jock [o seu cão]”. “Não preciso de dizer que é pura ficção. A polícia só hoje foi informada de que precisava de improvisar uma detenção. A questão é: quem ou o que está por trás disto?”, acrescentou Mandelson. Em comunicado, os advogados do ex-embaixador afirmaram ter pedido à Polícia Metropolitana provas para justificar a detenção desta última segunda-feira. .Caso Epstein. Mandelson libertado sob fiança após ser detido por suspeita de má conduta em cargo público.Peter Mandelson detido por suspeita de má conduta em cargo público