Casa Branca, nos Estados Unidos da América
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Casa Branca nega que Israel tenha pedido que acordo nuclear com Arábia Saudita dependa de normalizar relações

"Continuaremos a dialogar com os nossos homólogos sauditas para finalizar o acordo e esperamos vê-los aderir aos Acordos de Abraão em breve", disse porta-voz da Casa Branca.
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A Casa Branca afirmou esta quinta-feira, 23 de julho, que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, não pediu ao Presidente Donald Trump para condicionar o acordo nuclear norte-americano com a Arábia Saudita à normalização por este país das relações com Israel.

"O Presidente toma sempre a decisão final sobre os acordos, e este é um ponto que já referiu várias vezes. Afirmou que, se a Arábia Saudita não aderir aos Acordos de Abraão, o pacto será cancelado", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.

Questionada diretamente sobre se Netanyahu, aliado próximo de Trump, teria alguma relação com esta exigência, Leavitt negou: "Que eu saiba, não", afirmou.

O Presidente norte-americano afirmou na rede social Truth Social que o acordo, já aprovado pela Casa Branca, "está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão", acrescentando que "os Estados Unidos não se opõem às instalações nucleares civis (não enriquecidas)".

Trump tem procurado alargar os Acordos de Abraão, lançados em 2020 durante o seu primeiro mandato e que estabeleceram relações diplomáticas entre Israel e vários países árabes. O governante considera a eventual adesão da Arábia Saudita como um dos principais objetivos da sua política para o Médio Oriente.

Trump garantiu que o entendimento não permitirá o enriquecimento de urânio por parte da Arábia Saudita, apesar das crescentes preocupações por parte dos especialistas nucleares que alertam para a ausência de mecanismos de salvaguarda que impeçam qualquer enriquecimento de urânio suscetível de ser utilizado para fins militares.

O acordo foi anunciado na madrugada de quarta-feira, em plena escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, desencadeado no final de fevereiro por ataques israelo-americanos contra Teerão, com o pretexto de impedir que a República Islâmica se dotasse de armas nucleares.

O gabinete do primeiro-ministro israelita reagiu esta quinta-feira às declarações de Trump considerando que o reconhecimento por parte da Arábia Saudita de Israel seria um "avanço histórico".

"Tal como afirmou o Presidente Trump, a adesão da Arábia Saudita aos Acordos de Abraão constituiria um avanço histórico para a paz no Médio Oriente", declarou o gabinete de Benjamin Netanyahu num comunicado.

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Netanyahu diz que reconhecimento de Israel pela Arábia Saudita seria “avanço histórico”

Em Washington, a secretária de imprensa norte-americana acrescentou, após a mensagem do presidente sobre os Acordos de Abraão, que desconhecia qualquer telefonema entre Trump e o príncipe herdeiro e primeiro-ministro saudita, Mohammed bin Salman.

"Continuaremos a dialogar com os nossos homólogos sauditas para finalizar o acordo e esperamos vê-los aderir aos Acordos de Abraão em breve", disse Leavitt.

O protocolo poderá gerar milhares de milhões de dólares para as empresas norte-americanas e constituiria uma vitória para a Arábia Saudita, de maioria sunita, face ao seu rival iraniano de longa data, liderado por xiitas.

O texto do acordo assinado pelo secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, e pelo homólogo saudita, o príncipe Abdelaziz ben Salmane, ainda tem de ser submetido ao Congresso dos Estados Unidos, de maioria republicana.

Este acordo abre caminho à construção de centrais nucleares na Arábia Saudita, que, neste momento, depende de centrais a gás e a petróleo para a produção de eletricidade.

Logo após o anúncio, as críticas centraram-se na possibilidade de Riade poder enriquecer urânio.

O Wall Street Journal tinha afirmado anteriormente que uma cláusula previa a construção de um complexo de enriquecimento de urânio no reino saudita, caso um estudo conjunto determinasse que tal se justificava.

Na quarta-feira, o secretário de Energia norte-americano limitou-se a declarar que o acordo lançava "as bases jurídicas para uma parceria de várias décadas" e respeitava "os mais elevados padrões em matéria de segurança nuclear e não proliferação".

Também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou hoje que Riade pretendia desenvolver um programa nuclear "pacífico e civil" e garantiu que o acordo incluía "garantias para assegurar que não possa ser transformado num programa de armamento".

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