Christa Pike iria tornar-se a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos.
Christa Pike iria tornar-se a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos.Foto: DR

Cabeça a arder, tiros ao lado e injeções ineficazes. Aumenta a longa lista de execuções falhadas nos EUA

De acordo com o Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPI, na sigla em inglês), 3,15% (276 pessoas) das execuções nos EUA, no período de 1890 a 2010, apresentaram algum tipo de falha.
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Christa Pike, que sobreviveu na quarta-feira a duas doses letais de pentobarbital durante a sua execução no Tennessee e se encontra em estado crítico num hospital, é a mais recente vítima de execuções falhadas nos Estados Unidos.

De acordo com o Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPI, na sigla em inglês), 3,15% (276 pessoas) das execuções nos EUA, no período de 1890 a 2010, apresentaram algum tipo de falha, sendo que a injeção letal registou a maior taxa de execuções mal sucedidas.

Christa Pike iria tornar-se a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos.
Christa Gail Pike é mais um caso de execuções com falhas nos EUA

Tanto assim é que já este ano, em maio, também no Tennessee, a execução de Tony Carruthers, de 57 anos, condenado pelo rapto e homicídio de três pessoas em 1994, foi adiada, depois de não terem conseguido encontrar uma veia para lhe administrar a injeção letal, após mais de uma hora de tentativas. Os advogados do homem alegaram, num processo judicial, que o médico encarregado de inserir o cateter não o fazia há mais de uma década e não tinha autorização do hospital para tal. Mas, no que toca a execuções falhadas, há histórias muito diferentes.

Um dos métodos utilizados nos Estados Unidos é electrocução. Em 1983, no Alabama, a perna de John Evans, homem de 33 anos condenado em 1977 por um homicídio durante um assalto, pegou fogo após o primeiro choque elétrico, tendo sido necessários um total de três choques para executar o homem, numa altura em que na sala já se senta um cheiro intenso a carne queimada.

Já em 1990 foi a vez de a cabeça de Jesse Tafero, homicida de um polícia na Florida, ter pegado fogo durante a execução, algo que se voltou a verificar sete anos depois com Pedro Medina.

Até aquele que é supostamente o método mais eficaz, os pelotões de fuzilamento, já falhou. Segundo Laura Porter, diretora de uma coligação de organizações norte-americanas que fazem campanha pela abolição da pena de morte, Wallace Wilkerson foi atingido por balas, mas não no coração durante a sua execução em 1879, no Utah, e demorou 27 minutos até ser declarado morto.

Décadas mas tarde, em 1951, cenário idêntico aconteceu na execução de Eliseo J. Mares, baleado no quadril e no abdómen mas não no órgão vital, tendo também demorado vários minutos a morrer.

No ano passado, os executores de Mikal Mahdi, na Carolina do Sul, também "falharam o alvo, no coração", o que retardou a morte, segundo os resultados da autópsia.

No que concerne a injeções letais falhadas, os casos constituem matéria passível de ser aproveitada para filmes de terror. Em 2009, Romell Broom suportou duas horas de tentativas de execução no estado do Ohio, tendo sido perfurado 18 vezes nos braços, nas mãos e nas pernas. Foi o primeiro condenado à morte a sobreviver a uma tentativa de execução nos Estados Unidos em 1946 e acabou por morrer somente em dezembro de 2020, na sua cela, vítima de covid-19.

O mesmo aconteceu em 2018 com Doyle Hamm, que até era um doente terminal, no Alabama. O recluso só veio a morrer, também na prisão, três anos depois, por causas naturais.

Em 2024, Thomas Creech, na altura com 73 anos, viu os executores a tentarem inserir um cateter intravenoso nos seus braços, mãos e pernas durante quase uma hora. Hoje, continua no corredor da morte de Idaho, juntamente com outras sete pessoas.

Mas também houve casos em que as execuções prosseguiram apesar de problemas com a injeção letal. Foi o que aconteceu com Raymond Landry em 1988, quando o rompimento de uma veia fez com que a seringa se soltasse e espalhasse produtos químicos pela sala.

Em 2014, os executores do estado do Oklahoma não perceberam que a substância letal não estava a ser injetada diretamente na veia até de Clayton Lockett até este levantar a cabeça e começar a emitir sons. Porém, os efeitos da injeção começaram a matá-lo gradualmente.

Mais recentemente, em 2021, também no Oklahoma, o uso de um medicamento errado fez John Grant vomitar e sofrer convulsões durante vários minutos.

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