Britânico declara-se culpado pela morte do filho, que caiu da janela do quarto andar de um hotel no Chipre
Um cidadão britânico declarou-se esta terça-feira, 22 de setembro, culpado de ter provocado a morte do filho, por negligência, dez semanas depois de o menino de dois anos ter caído da janela do quarto andar de um hotel no Chipre.
Josh Foster, de 37 anos, compareceu no tribunal distrital de Pafos e aceitou a acusação de ter causado o acidente através de um "ato precipitado, imprudente e perigoso" no primeiro dia de férias em família perto de Pafos, a 12 de julho.
O homem terá agora de regressar a tribunal no dia 5 de outubro, podendo enfrentar até quatro anos de prisão.
O advogado de defesa, Alexandros Alexandrou, justificou a decisão do cliente, explicando que a alternativa seria a perspetiva de um processo criminal prolongado, o que obrigaria o pai a confrontar-se repetidamente com as circunstâncias da morte do filho. Foster, refira-se, desabou em lágrimas quando compareceu no mesmo tribunal para ser formalmente acusado em julho.
"Seria perturbador para ele e para a família", afirmou o advogado, sublinhando que a família ainda está a lidar com a dor de uma “perda inimaginável”. “Para terminar esta história, ele aceitou", frisou, acrescentando que a defesa irá apresentar argumentos atenuantes na tentativa de obter uma sentença menos pesada. "Se for imposta a pena máxima, a defesa recorrerá. Este tipo de pena é inaceitável para nós”, vincou.
"Nestas circunstâncias excecionais, não acreditamos que a continuação do processo criminal sirva o interesse público. O foco deve agora ser o bem-estar e a recuperação [da família]", defendeu o advogado.
Após pagar 30 mil euros de fiança para regressar ao Reino Unido para assistir ao funeral do filho em agosto, Foster foi obrigado, sob ameaça de extradição, a regressar ao Chipre e a entregar o passaporte até 14 de setembro.
Até à semana passada, o britânico esperava que a acusação fosse levantada, tendo apelado desesperadamente à clemência e à intervenção do procurador-geral do Chipre, George Savvides, que tem o poder de conceder clemência e suspender os processos criminais por razões humanitárias. Mas o pedido foi negado.
O menino, que comemoraria o terceiro aniversário na semana passada, caiu da janela do quarto andar do hotel e resort King Evelthon, na costa de Chlorakas, perto de Pafos.
O pai alega que o colocou no parapeito da janela, num corredor que dava acesso a um elevador que a família estava prestes a utilizar, sem se aperceber que a janela estava entreaberta. A criança caiu para trás e sofreu um traumatismo craniano fatal ao embater numa varanda 10 metros abaixo.
Defensores dos direitos humanos, comentadores em órgãos de comunicação social e diplomatas questionaram a aparente falta de compaixão com que as autoridades cipriotas lidaram com o caso, embora a lei tenha sido cumprida.

