Brasil: Polícia Federal abre investigação contra possível interferência dos EUA nas eleições
A Polícia Federal (PF) brasileira abriu uma investigação para apurar a alegada interferência dos Estados Unidos da América nas eleições gerais do país, informou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
"Recebemos representação da Advocacia Geral da União sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio”, declarou Rodrigues em conferência de imprensa.
O requerimento enviado à Polícia Federal na quinta-feira pela Advocacia Geral da União – ministério responsável por defender os interesses do Governo brasileiro nos tribunais – foi baseado numa reportagem do jornal britânico The Guardian.
A publicação afirma que a presidência de Donald Trump passou um milhão de dólares a grupos da sociedade civil que se opõem ao Supremo Tribunal Federal no Brasil.
Os recursos foram destinados a financiar o projeto “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”, pelo que classificaram como abuso de poder judicial e censura por parte do STF brasileiro.
Segundo o The Guardian, a iniciativa integra um conjunto de 43 concessões que somam 176,9 milhões de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos EUA.
O diretor-geral da PF reiterou que a apuração ainda está em andamento sob caráter preliminar, sem instauração formal de inquérito, mas que já existe “uma investigação em curso”.
Andrei Rodrigues falava no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICCN), na sede da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, onde forças de segurança do país acompanham as eleições gerais do país.
Rodrigues também reiterou que a Polícia Federal não identificou elementos concretos que indiquem risco na Embaixada dos Estados Unidos ou a outras representações diplomáticas em Brasília.
Na sexta-feira, a embaixada do Brasil nos EUA anunciou suspensão dos serviços consulares e da embaixada no país por uma “questão de segurança”, o que mobilizou as forças de segurança do Brasil.
“Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos não indicam nada de concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”, completou.

