Da viagem do chefe da diplomacia dos Estados Unidos ao Médio Oriente, a quarta desde o início da guerra, Antony Blinken levou as preocupações de Washington e também dos países árabes a Telavive nas reuniões que manteve com o presidente Isaac Herzog, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o homólogo Israel Katz e o ministro do gabinete de guerra Benny Gantz. O norte-americano reiterava o apoio a Israel acenando com a cenoura do reconhecimento de países árabes em troca de um acordo de paz e do reconhecimento do Estado da Palestina..Netanyahu ouviu do secretário de Estado norte-americano o que não queria. “Israel tem de deixar de tomar medidas que minem a capacidade dos palestinianos de se governarem eficazmente”, afirmou Blinken, que, depois de ter estado na Arábia Saudita, Qatar e Jordânia, disse que os líderes com quem se reuniu sublinharam a sua preocupação com o alastramento do conflito e todos se comprometeram a tentar “evitar uma escalada e impedir a abertura de novas frentes”. .Em resultado de uma reunião que fontes do Canal 12 israelita descreveram como “tensa”, o gabinete do primeiro-ministro não emitiu qualquer comunicado, ao contrário do que é habitual, e também não realizou uma conferência de imprensa em conjunto com o visitante. .Mas o certo é que antes da reunião com Netanyahu foi público que Blinken, sem deixar de apoiar Telavive, quis levar uma mensagem mais equilibrada, em linha com as declarações na véspera de Joe Biden, e ao mesmo tempo abrir uma janela para o futuro de Gaza e da região quando cessarem as hostilidades. “Estou ciente dos vossos esforços ao longo de muitos anos para uma maior conectividade e integração no Médio Oriente, mas creio que existe aqui uma verdadeira oportunidade”, disse Blinken a Katz. O reconhecimento da Arábia Saudita estava em curso quando se deu o ataque de 7 de outubro do Hamas e é nesse cenário que os EUA querem jogar, em troca de um acordo de paz que inclua o reconhecimento, por parte de Telavive, do Estado da Palestina..Longe de a crise humana desencadeada pela ação militar israelita estar em vias de ser solucionada, Blinken expressou também a sua preocupação. “O número de mortes diárias dos habitantes de Gaza, em particular das crianças, é demasiado elevado”, afirmou, embora tenha reconhecido que a luta contra o Hamas constitui um “desafio incrível” para Israel, tendo em conta que “dispara a partir de escolas e hospitais”. Também concedeu que Telavive tem feito progressos no que respeita à entrada de ajuda no enclave, mas “90% da população de Gaza continua a enfrentar uma insegurança alimentar aguda, de acordo com as Nações Unidas”, apontou na conferência de imprensa no final do encontro com Netanyahu. “É necessário que mais alimentos, mais água, mais medicamentos e outros bens essenciais entrem em Gaza e que cheguem às pessoas que deles necessitam”..Um dia negativo viveu-se do lado israelita no teatro das operações na segunda-feira, com a morte anunciada de nove soldados, seis deles numa explosão no centro de Gaza e outros três durante combates no sul, isto apesar de Blinken ter elogiado os “progressos significativos” na campanha militar. Segundo o exército israelita, os seis mortos, engenheiros, foram vitimados quando explosivos destinados à demolição de um túnel detonaram. .Três membros do Hezbollah e um comandante da unidade de drones, Ali Hussein Burji, terão sido mortos em ataques levados a cabo por Israel, embora a morte deste último tenha sido negada pelo grupo amado xiita. Segundo os media libaneses, o ataque teve lugar pouco antes do funeral de outro comandante do Hezbollah, Wissam al-Tawil, morto noutro ataque israelita na véspera..Abdullah II, rei da Jordânia, recebe nesta quarta-feira o presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, para uma cimeira sobre a Palestina. Esta reunião esteve para se realizar no dia 18 de outubro com a presença de Blinken, mas foi anulada então porque a diplomacia jordana concluiu que seria incapaz de produzir resultados..cesar.avo@dn.pt