Autor best-seller na área da saúde mental e autoajuda, o psiquiatra Augusto Cury, 67 anos, é o mais recente candidato à presidência do Brasil, pelo partido Avante, de centro. “Make Humanity Great Again” [fazer a humanidade grande outra vez] é o slogan, propositalmente adaptado do “Make America Great Again” de Donald Trump, que o “psiquiatra mais lido do mundo” e “mentor de projetos internacionais gratuitos, incluindo em Portugal, para prevenção de suicídios” quer popularizar. Ao DN, Cury contou o que o move.Em que momento e por qual razão lhe ocorreu candidatar-se? Candidato-me porque me tiram o sono as dores que muitos brasileiros vivem: oito milhões de jovens que não trabalham nem estudam, vivendo à margem das oportunidades, 1560 mulheres assassinadas por ano, sete milhões de jovens no ensino médio no Brasil que precisam de uma repaginação educacional sem formação técnica para a nova economia, muitos não terão lugar ao sol na sociedade digital e serão silenciosamente excluídos, o aumento do índice de suicídios desde a pandemia em 148%. Essas dores não são números. São vidas, histórias interrompidas, sonhos sufocados. E são elas que me impulsionam a dar este passo.Tem a educação como preocupação fundamental: que projetos prevê?Repaginar profundamente o ensino médio, integrando formação técnica e profissional voltada para a nova economia. Aulas de teatro, oratória, gestão financeira e empreendedorismo. O professor deixa de ser um expositor cartesiano e passa a ser um provocador da arte de perguntar e debater e um elogiador da arte de participar. E quero ver o Brasil como centro global de inovação e tecnologia: criar diversos polos de inovação – micro Silicon Valleys – espalhados pelo país. Como costumo dizer, os professores de hoje são cozinheiros do conhecimento que preparam alimento para uma plateia sem apetite.E na economia?Proponho criar zonas francas de exportação para ampliar a competitividade internacional; embaixadas brasileiras 4.0, plataformas de negócios para vender o Brasil não como celeiro do mundo ou produtor de commodities mas como o “supermercado do mundo”; dobrar a produção de alimentos em 10 anos, pois o mundo precisará de aumentar em 70% a sua produção de grãos até 2050; regularizar mais de 30 milhões de residências; Bolsa Família Turbo, proteger os vulneráveis sim mas premiar quem empreende, sem punições da perda do próprio Bolsa Família, gerando incentivos, como embrião da renda universal, que pode ser necessária se ocorrer o desemprego em massa devido às novas tecnologias; transformar a nação numa das mais empreendedoras do mundo ao estimular milhões de microempresas; preparar o país para o tsunami da IA e robótica, criar políticas de requalificação para evitar o caos social; criar a Black Week do Turismo Brasileiro, semanas anuais para atrair turistas do mundo com condições especiais; prevenção da corrupção com participação social ativa, com milhares de comitês “Sociedade Está de Olho” no país, formados por voluntários para acompanhar licitações e fiscalizar contratos públicos.São muitas propostas. São alguns dos pilares de um projeto maior – um projeto de nação que busca unir desenvolvimento económico com saúde emocional, tecnologia com humanismo, crescimento com justiça social.Sente-se mais próximo de Lula ou de Flávio Bolsonaro?A minha mente é capitalista mas o meu coração é social – social, não socialista. Desejo realizar uma pré-campanha e uma campanha que elevem o nível do debate, substituindo ataques por ideias, rótulos por propostas e radicalização por consciência crítica. Precisamos encerrar um ciclo perigoso de radicalização. Não é aceitável que extremos ideológicos se alimentem de acusações superficiais, sem compreensão profunda da psicologia humana e dos processos históricos e sociais que moldam comportamentos coletivos. O Brasil e o mundo precisam amadurecer emocional e intelectualmente. Tenho recebido o apoio de líderes e pensadores que têm valorizado a transparência, a coerência e a inteligência deste projeto. Quero, por fim, reafirmar com convicção: desejo realizar a campanha mais barata, mais pacífica, mais inteligente e mais propositiva da história do Brasil – uma campanha com 0% de ataques pessoais e 100% de projetos.Com certeza ouvirá críticas de que não tem experiência política, de que busca promoção pessoal e outras. Como responderia? Não faço este caminho por poder. Não amo o poder, não preciso dele e sempre fui um crítico do culto ao ego e da busca ansiosa pelo centro das atenções. A minha pré-candidatura é um gesto de contribuição. O meu projeto é Make Humanity Great Again [fazer a humanidade grande outra vez]. Faço-a com um compromisso inegociável: não perder a minha alma, não negociar a minha essência, não abrir mão dos valores que construíram a minha história como psiquiatra mais lido do mundo. O que me move é algo raro: o romantismo de contribuir para mudar o país e influenciar o teatro radicalizado das nações, onde projetos pessoais transcendem projetos para a sociedade. Se eu tivesse o privilégio de me tornar presidente chamaria Putin e Zelensky para uma conversa desarmada..Augusto Cury é candidato à presidência do Brasil