Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Esplanada dos Ministérios, em Brasília.FOTO: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

As outras eleições. Ciro, Marina, Haddad, Tebet, Aécio e Moro também vão a votos

Corrida ao Planalto é ponta do icebergue mediático de votações, repletas de pesos pesados, para 26 governos estaduais e o Distrito Federal, 54 cadeiras no Senado, 513 na Câmara dos Deputados e mais.
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Se está a sentir falta de Ciro Gomes, candidato presidencial nas eleições do Brasil de 1998, 2002, 2018 e 2022, e de Marina Silva, que concorreu em 2010, 2014 e 2018, saiba que os dois vão, sim, a votos neste domingo. Tal como Simone Tebet, terceira mais votada para o Planalto há quatro anos, Fernando Haddad, substituto de Lula da Silva em 2018, Aécio Neves, que ficou a uma unha negra de vencer em 2014, Sergio Moro, o juiz da Operação Lava-Jato, que depois se tornou ministro de Jair Bolsonaro, ou Michelle Bolsonaro, a popular ex-primeira-dama. Nestas eleições, há muitas eleições. 

O citado Haddad está naquela que é por tradição e pelos números a segunda eleição mais importante: a corrida ao Palácio dos Bandeirantes, ou seja, ao governo de São Paulo, estado que que concentra 21,48% do eleitorado brasileiro e 31% do PIB do país (e quase o dobro do de Portugal, a propósito). O ex-ministro das Finanças de Lula, porém, vai com certeza perder, quem sabe à primeira volta, para Tarcísio de Freitas, o nome que a maioria dos líderes da direita queria ver a concorrer contra Lula, em vez de Flávio Bolsonaro: Tarcísio, do Republicanos, soma 53,3% nas sondagens, contra os 40,1% de Haddad, do PT, segundo sondagem da Atlas Intel de terça-feira, 29 de setembro.

Em 2022, Tarcísio e Haddad já se tinham defrontado para o Bandeirantes, também com vitória do primeiro, e, segundo a maioria dos observadores, podem duelar também em 2030 mas para o Planalto…   

Ainda em São Paulo, que como se depreende pelas sondagens para governador tende para a direita, a esquerda aposta alto na corrida aos dois cargos de senadores em disputa: concorrem Marina Silva, do Rede, e Simone Tebet, do PSB, ambas ex-candidatas presidenciais e ministras, do Ambiente e do Planeamento, do atual governo. Mas é Guilherme Derrite (PP), secretário de Segurança de Tarcísio com fama de linha dura contra o crime, quem lidera, segundo as pesquisas. André do Prado, do PL, partido dos Bolsonaro, está em quarto lugar mas pode beneficiar-se da desistência surpresa do aliado bolsonarista Ricardo Salles, que abandonou a campanha depois de gastar nela cerca de 500 mil euros.    

Entre os candidatos a senador por Minas Gerais está, por sua vez, o citado Aécio Neves. O ex-candidato presidencial pelo PSDB é o segundo ex-aequo nas sondagens e por isso corre risco de não estar entre a dupla de eleitos. Na liderança, Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, subúrbio de Belo Horizonte, pelo PT. 

Já Michelle Bolsonaro, do PL, lidera destacada a eleição no Distrito Federal para o Senado, à frente de Leila do Vôlei (PDT) e Erika Kokay (PT), ambas de esquerda, e da colega de partido Bia Kicis, que se batem pela segunda vaga.   

No Rio Grande do Sul, o direitista Marcel von Hattem (Novo) e a esquerdista Manuela d’Ávila (PSol), que foi candidata a vice-presidente de Haddad em 2018, estão na frente. 

O PL, de Flávio, é a força com o maior número de candidatos competitivos liderando as sondagens nos seus estados, com 13 nomes, seguido do neutral MDB, de Michel Temer e outros históricos, com oito, e do PT, de Lula, com seis.

Voltando à competição pelos governos estaduais, no Rio de Janeiro o favorito Eduardo Paes, do PSD, apoiado por Lula e esquerda, lidera com 44% segundo as mais recentes sondagens mas Douglas Ruas, do PL, vem subindo e já soma 36%, o que faz pressupor segunda volta.

Em Minas Gerais, com o governador Romeu Zema de saída do cargo para se arriscar como candidato a presidente, é Cleitinho Azevedo (Republicanos), fenómeno nas redes sociais, quem está à frente com oito pontos sobre Patrus Ananias (PT). Mateus Simões, o vice de Zema, é terceiro, a larga distância.

Nos estados do Nordeste, o destaque vai para o ex-presidenciável e ex-governador estadual Ciro Gomes, do PSDB, que está rigorosamente empatado, com 44% das intenções de voto, com o atual governador Elmano Santos, do PT. Foi essa disputa palmo a palmo que motivou a célebre briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro: ela defendia que o PL optasse por outros nomes, o primogénito do ex-presidente preferiu apoiar o rival Ciro para impedir a vitória do petista Elmano.   

Finalmente, no Paraná o instituto Real Time Big Data dá a Sergio Moro do PL, de Bolsonaro, 36 pontos, mais oito do que Sandro Alex, do PSD, apoiado pelo ex-governador Ratinho Junior, que chegou a equacionar candidatura ao Planalto. 

No total, o Tribunal Eleitoral registou 20.506 candidaturas em 2026 para eleger um presidente da República, 27 governadores estaduais, 54 senadores (como os mandatos são de oito anos, os demais 27 só vão a votos em 2030), 513 deputados federais e 1069 deputados estaduais e distritais.   

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