Depois de, “em termos de conteúdo, o que sr. Vance disse [há um ano] e o que o sr. Rubio disse ter sido praticamente o mesmo” na Conferência de Segurança de Munique, como notou o ministro da Defesa belga Theo Francken, o secretário de Estado norte-americano visitou as duas capitais com a pior relação com a União Europeia, Bratislava e Budapeste. Nesta última, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos deu continuidade às mensagens de Donald Trump, na sua rede social, de apoio à candidatura de Viktor Orbán, o primeiro-ministro que no sábado declarou que os húngaros devem acostumar-se “à ideia de que aqueles que amam a liberdade não devem temer o Leste, mas Bruxelas”, em referência à Rússia e à União Europeia.Em termos oficiais, Rubio deslocou-se à capital húngara para assinar um acordo de cooperação nuclear civil entre os EUA e a Hungria, que inclui a possível aquisição de reatores nucleares compactos, combustível nuclear e tecnologia de armazenamento de combustível usado. Também tinha a finalidade de manter encontros com o seu homólogo, Péter Szijjártó, e com o chefe do governo desde 2010, Viktor Orbán. Mas acabou por ser muito mais do que isso: foi a concretização de mais uma interferência em eleições alheias, depois de Trump ou os seus círculos, incluindo Elon Musk, terem declarado apoio ao britânico Nigel Farage e ao seu Reform UK, a Alice Weidel (Alternativa para a Alemanha, AfD) ou ao polaco Karol Nawrocki, por exemplo. Além do apoio a candidatos nacionalistas ou de extrema-direita, a administração liderada por Donald Trump também não esconde o desdém pela União Europeia. Quando a empresa X (antigo Twitter) foi multada em dezembro, em 120 milhões de euros, por violar a lei europeia dos serviços digitais, não foi só o seu dono bilionário (Musk) a insurgir-se. O chefe da diplomacia dos EUA disse que a multa “não é apenas um ataque a X, é um ataque a todas as plataformas tecnológicas americanas e ao povo norte-americano por governos estrangeiros”. Em Budapeste, Orbán, que tem corroído as fundações da democracia e do Estado de direito ao longo dos seus quatro mandatos, recebeu de Rubio o apoio da administração dos Estados Unidos. Afirmou que as relações bilaterais passam por uma “era dourada”, uma expressão tão do agrado de Donald Trump, isto apesar de os dois países ainda “não ter arranhado sequer a superfície” do que podem “alcançar juntos”, notou. “O primeiro-ministro e o presidente têm uma relação pessoal e profissional muito, muito próxima, e penso que isso tem sido benéfico para os nossos dois países. Essa ligação pessoal que estabeleceu com o presidente —disse Rubio, ao dirigir-se a Orbán na conferência de imprensa — fez toda a diferença do mundo na construção desta relação” entre os dois países. “O presidente Trump está profundamente comprometido com o seu sucesso porque o seu sucesso é o nosso sucesso”, concluiu.Por sua vez, Orbán, que se apresenta como candidato à reeleição em 12 de abril, disse que a democracia húngara é “muito forte” e que o governo “será formado após as eleições com base na vontade dos húngaros”. A vontade dos húngaros, segundo as sondagens de empresas independentes, é de mudar. O partido do candidato do centro-direita Péter Magyar tem liderado as sondagens de forma consistente. “Às vezes perco, às vezes ganho”, disse Orbán, tendo ainda dito não ter medo da derrota, embora espere vencer..Líder nas sondagens, Magyar quer Hungria na moeda única em 2030.Viktor Orbán, que vai a Washington para participar no Conselho da Paz, o órgão criado por Trump para a Faixa de Gaza, voltou a oferecer os seus serviços a Rubio para que Budapeste acolha uma cimeira mediada pelos EUA para pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia. No sábado, o líder húngaro voltou a mostrar de quem é aliado. “O alarme sobre Putin é primitivo e pouco sério. Bruxelas, no entanto, é uma realidade palpável e uma fonte de perigo iminente. Esta é a amarga verdade, e não a vamos tolerar”, afirmou. Por outro lado, Orbán tenta assustar os seus compatriotas ao afirmar que, em caso de derrota, os húngaros seriam conscritos para a linha da frente da guerra. No mês passado, o húngaro acusou o líder ucraniano Volodymyr Zelensky de tentativa de interferência nas eleições, tendo o seu governo convocado o embaixador ucraniano.