Rússia vai colocar armas nucleares na Bielorrússia apesar das críticas

Putin anunciou que Moscovo prevê instalar armas nucleares "táticas" no território da Bielorrússia,
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O Kremlin fez saber esta segunda-feira que as críticas ocidentais não vão originar uma mudança nos planos anunciados pelo presidente russo Vladimir Putin de colocar armas nucleares táticas na vizinha Bielorrússia.

"É claro que tal reação não pode influenciar os planos russos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

No sábado, recorde-se, Putin anunciou que Moscovo prevê instalar armas nucleares "táticas" no território da Bielorrússia, país aliado situado às portas da União Europeia.

"Aqui não há nada inédito: os Estados Unidos fazem isso há décadas. Eles têm suas armas nucleares táticas posicionadas há muito tempo em território dos seus aliados", declarou Putin numa entrevista difundida pela televisão russa. "Nós decidimos fazer o mesmo", acrescentou, afirmando que esta decisão era tomada após acordo firmado com o governo bielorrusso.

"Já ajudamos os nossos aliados bielorrussos. Já equipamos os seus aviões (...) sem violar os nossos compromissos internacionais de não proliferação de armas nucleares. Dez aviões estão prontos para utilizar esse tipo de armamento", acrescentou Putin.

Perante as declarações do líder russo, a NATO classificou como "perigosa e irresponsável" a retórica nuclear da Rússia.

"A NATO está vigilante e estamos a acompanhar de perto a situação", disse a porta-voz da NATO, Oana Lungescu, acrescentando que a organização "não viu quaisquer mudanças na postura nuclear da Rússia" que levassem ao ajustamento da sua estratégia.

"O acolhimento de armas nucleares russas pela Bielorrússia constituiria uma escalada irresponsável e uma ameaça à segurança europeia. A Bielorrússia ainda pode impedir isso. A UE está pronta para responder com mais sanções", assegurou Josep Borrell numa mensagem na rede social Twitter.

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