Antigo professor de Cambridge Jason Arday encontrado morto em casa após polémica de plágio
O sociólogo britânico Jason Arday, de 41 anos, foi encontrado morto, esta sexta-feira (14 de agosto) na sua residência em Battersea, sul de Londres, noticia a BBC. A morte do antigo professor da Universidade de Cambridge ocorre poucos dias após a sua renúncia ao cargo, no seguimento de uma vaga de alegações de plágio e de dúvidas sobre elementos da sua biografia pública, incluindo alegações de que mentiu de forma compulsiva.
Os serviços de emergência e a Polícia Metropolitana de Londres foram chamados ao local durante a tarde e, de acordo com a estação pública britânica, o óbito foi declarado no local.
Em comunicado oficial, a polícia adiantou que a morte está a ser tratada como "inesperado", embora "não seja considerada suspeita".
A família de Jason Arday manifestou-se "em estado de choque" pela perda referindo, em declarações públicas, que aquilo a que chama de "a campanha de desinformação foi excessiva" para o antigo professor universitário, caracterizando-o como "um homem gentil e que procurava sempre ver o melhor em todos".
A vice-reitora da Universidade de Cambridge, Deborah Prentice, reagiu à notícia manifestando profunda consternação: "Estamos desesperadamente tristes ao ter conhecimento desta notícia trágica. As nossas sentidas condolências vão para a família e amigos de Jason Arday neste momento incrivelmente difícil."
Escrutínio, acusações e renúncia
Jason Arday alcançou notoriedade internacional em 2023 ao ser nomeado professor catedrático de Sociologia da Educação em Cambridge, tornando-se na pessoa negra mais jovem a atingir essa posição na história da instituição.
O seu percurso, marcado pela superação de barreiras no desenvolvimento — foi não-verbal até aos 11 anos e aprendeu a ler e a escrever apenas aos 18 —, transformara-o numa figura de referência.
No entanto, a controvérsia instalou-se recentemente após Nathan Cofnas, antigo investigador despedido de Cambridge em 2024, ter apontado publicamente diversas instâncias de plágio nas publicações académicas de Arday. Paralelamente, surgiram graves dúvidas sobre feitos desportivos e de beneficência reivindicados pelo sociólogo, nomeadamente ao dizer que tinha realizado 30 maratonas em 35 dias, cerca de 482 km em três dias e 965 km numa passadeira rolante ao longo de seis dias para angariação de fundos.
Arday rejeitou as acusações de plágio deliberado, ainda que tenha admitido falhas metodológicas nos seus trabalhos iniciais, que associou a mecanismos de mimetismo decorrentes do seu autismo. Em declarações recentes ao jornal The Times, o académico criticara a agressividade dos ataques: "Estamos a falar de academia. Eu não assassinei ninguém. Penso que a crueldade que vivi e o facto de me posicionarem como uma espécie de mentiroso e fantasista é totalmente inaceitável."
Ao anunciar a demissão na semana passada -- após ter sido noticiado que ele tinha no seu perfil e currículo académico a autoria de um livro intitulado Being Young, Black and Male: Challenging the Dominant Discourse, referenciado como tendo sido publicado pela conceituada editora académica Palgrave Macmillan, livro que na realidade não existia -- Arday disse ainda que o custo pessoal do escrutínio se tornara incomportável e fora muito além do debate académico legítimo, sublinhando que a sua saída não constituía uma aceitação das narrativas contra si veiculadas.
Inquéritos em curso e memórias publicadas
A Universidade de Liverpool John Moores (LJMU), onde Arday concluiu o doutoramento em 2015, tinha inicialmente investigado as suspeitas relativas à sua tese e a artigos em publicações especializadas, concluindo não ter existido plágio. Não obstante, perante o avolumar da polémica, a Universidade de Cambridge anunciara esta semana a abertura de um inquérito independente ao processo de nomeação e contratação do docente.
Também a Universidade de Glasgow, onde Arday lecionou anteriormente, tinha determinado uma revisão ao seu trabalho científico.
O desfecho trágico coincide com a fase de promoção do seu livro de memórias, Great And Unfortunate Things, publicado pela Simon & Schuster nos Estados Unidos esta semana e com lançamento previsto no Reino Unido para o próximo dia 27 de agosto.
No fim de semana anterior, Arday tinha já cancelado as suas aparições públicas de apresentação da obra.

