Menina de 8 anos raptada em França foi resgatada na Suíça

Mia tinha sido levada da casa da avó numa operação complexa. A mãe foi detida, junto com cinco homens suspeitos de a terem ajudado a levar a menor.

DN/AFP
Mais de 200 polícias participaram nas buscas. | foto SEBASTIEN BOZON / AFP
Mia foi encontrada com a mãe numa fábrica abandonada. | foto EPA/CHRISTIAN BRUN

Uma menina de oito anos foi resgatada este domingo na Suíça, cinco dias depois de ter sido levada da casa da avó na França, numa operação ao estilo militar com o alegado envolvimento da mãe.

Os investigadores encontraram a menor, Mia, e a mãe, Lola Montemaggi, dentro de uma fábrica abandonada no município suíço de Saint-Croix, indicaram os procuradores franceses.

A mãe, de 28 anos, foi detida junto com cinco homens acusados de a terem ajudado.

Os cinco foram acusados de sequestro de menor e quatro deles continuam detidos, de acordo com os procuradores de Nancy, no nordeste de França.

Três dos homens fingiram ser funcionários dos serviços sociais -- usaram até identificações falsas -- para convencer a avó materna de Mia (que tem a custódia dela desde janeiro) a entregar a criança. Foram à sua casa em Poulières, próximo da fronteira com a Suíça.

Não foi usada violência, mas o procurador François Perain disse que o sequestro foi como uma "operação militar", com os raptores "extremamente bem preparados" a usarem até um nome de código: "operação Lima". Tinham walkie-talkies, equipamento de campismo, matrículas falsas e um orçamento de três mil euros para cobrir as despesas.

Os raptores não eram conhecidos da polícia, mas foram descritos como pertencendo à mesma "comunidade de ideias".

"Eles são contra o Estado e mobilizados contra o que consideram uma ditadura da saúde", indicou o procurador. A mãe perdeu a custódia quando disse ao juiz que queria viver "à margem da sociedade".

Depois do rapto, três dos homens e a mãe da criança caminharam até à fronteira, carregando Mia à vez.

Aí um homem, conhecido como Romeo, apanhou Mia e a mãe num Porche e levou-as até um hotel suíço, onde passaram a noite com uma mulher "apoiante do movimento", antes de chegar a Sainte-Croix.

Cinco pessoas ligadas ao rapto, com idades entre os 23 e os 60 anos, foram detidas em França entre quarta e sexta-feira.

Mia está bem e deverá ser vista por um psicólogo e um assistente social antes de ser entregue à avó. Mas o facto de a história se ter tornado notícia em França, a pressão dos media deverá impedir a reunião de ambas em Poulières.

A mãe não resistiu à detenção quando os investigadores suíços chegaram à fábrica abandonada em duas carrinhas, apesar de Mia ter gritado, segundo disseram testemunhas a um fotógrafo da AFP.

Mia foi encontrada com a mãe numa fábrica abandonada.© EPA/CHRISTIAN BRUN

Lola Montemaggi foi detida pela polícia suíça e deverá ser alvo de um mandado de captura europeu, para permitir a sua extradição para França.

Cerca de 200 agentes da polícia foram mobilizados para as buscas.

Para os avós paternos, o resgate é um "enorme alívio", indicaram através de um advogado. "É o fim de noites de angústia e medo pela vida da nossa menina, particularmente por causa das ideias extremistas dos seus raptores", acrescentaram.