As negociações entre as delegações do Irão e dos Estados Unidos, na Suíça, ficaram marcadas pelas ameaças de Donald Trump de reiniciar a campanha de bombardeamentos. A tática levou a que o Irão apresentasse uma queixa formal aos mediadores paquistaneses e catarianos, tendo suspendido as conversas. Porém, ao contrário do que foi noticiado pela agência Irna, a delegação chefiada pelo presidente do Parlamento, Bagher Ghalibaf, não pôs fim ao encontro, mas suspendeu-o. O presidente do Parlamento iraniano disse que os EUA deviam ter cuidado com as suas declarações e que as forças armadas iranianas “estão prontas para responder.”Para J.D. Vance, os EUA esperavam “virar nova página”, e referiu que tinham feito “grandes progressos”, apesar de na véspera Teerão ter anunciado que iria voltar a fechar o estreito de Ormuz devido à campanha militar israelita no Líbano. “A abertura do estreito de Ormuz, o fim do programa nuclear iraniano, todas estas coisas já foram alcançadas”, disse Vance. “Podemos mudar permanentemente as relações no Médio Oriente, ou voltamos a fazer as coisas à moda antiga, o que não é a nossa preferência, mas é certamente algo que pode acontecer. A questão agora é quanto mais podemos alcançar juntos?”. Aparentemente, pouco, pelo menos no primeiro dia. Um membro da equipa iraniana disse que o primeiro encontro serviu para discutir os ativos congelados e os acordos para que estes sejam libertados. “Na Suíça, discutimos a isenção temporária das sanções sobre o petróleo e seus derivados, e o rascunho final de uma proposta sobre este assunto já foi concluído”, disse Hussein Gurbanzadeh, citado pela Al Jazeera. Depois de Trump e de Vance terem pressionado publicamente Israel para mudar de rumo no que respeita ao Líbano, o presidente dos Estados Unidos respondeu à declaração iraniana de que iria voltar a impedir o tráfego no estreito de Ormuz com várias declarações, todas em tom ameaçador. À Fox News contou ter dito a dirigentes iranianos que se fecharem o estreito ficam sem país. “Nem vão sequer voltar à merda do vosso país... nós vamos tomar o resto do país.” As discussões “entraram numa fase difícil após 80 minutos de debate e uma interrupção, devido à publicação de uma mensagem ofensiva do presidente dos EUA”, publicou a Irna. Trump também ameaçou retomar os ataques ao Irão se este não impedir o Hezbollah de “causar problemas” no Líbano. Fonte iraniana garantiu à Reuters que as negociações estão suspensas, mas não interrompidas. Já à AFP, um diplomata disse que a delegação iraniana “continua envolvida” nas discussões.Uma sondagem da YouGov para a CBS News indica que uma esmagadora maioria de norte-americanos (78%) deseja o fim da guerra. Também vê de forma crítica os resultados da mesma: 69% diz que os EUA não acabaram com o programa nuclear do Irão e 74% que não tornou a vida dos iranianos melhor. Sobre o pré-acordo assinado pelos presidentes dos dois países, as opiniões estão mais divididas: 37% diz que é favorável ao Irão, 41% diz que é igual para ambos os lados e 22% acredita que é melhor para os EUA. .Trump ameaça voltar a atacar o Irão "com mais força" se não travar Hezbollah no Líbano