Depois de três dias em que os Estados Unidos se abstiveram de lançar ataques contra alvos iranianos, no que foi descrito pelo humorista Jon Stewart como uma “pausa para hidratação”, e o Irão e grupos aliados continuaram a disparar para países vizinhos, as forças norte-americanas voltaram às operações limitadas, como a registada na quinta-feira, e na qual, segundo Teerão, um casal e a sua criança de dois anos foram mortos na ilha de Qeshm. Mas, perante o alargamento do conflito a outros pontos, o último dos quais o Egito, e a noticiada “exasperação” de Donald Trump, o almirante Brad Cooper, que chefia o Comando Central dos EUA (Centcom), terá apresentado um plano para uma guerra de 14 dias. Segundo conta a NBC News, o presidente dos EUA perdeu a paciência durante uma reunião de segurança nacional, que ficou marcada pelas divergências sobre a estratégia a adotar para o Irão. “O presidente está exasperado. Não creio que ele esperasse que fosse tão difícil conseguir que os iranianos aceitassem um acordo”, afirmou uma fonte próxima do presidente. “Não existia uma estratégia de facto sobre a duração ou sobre o que deveria ser feito para atingir o objetivo final”, disse ainda a mesma fonte. Um dos problemas que os Estados Unidos enfrentam é a insustentabilidade, a prazo, da atual situação, uma vez que já dispararam cerca de dois terços dos mísseis intercetores do sistema Patriot e quase metade dos THAAD, segundo aponta uma publicação do grupo de reflexão Center for Strategic and International Studies. Para o think tank, a continuação dos disparos iranianos vai tornar-se num “teste” às forças norte-americanas, uma vez que “não há boas alternativas” para a defesa de mísseis balísticos. Para contornar esta questão, o homem encarregado de chefiar as forças dos EUA na guerra com o Irão, Brad Cooper, apresentou um plano a Trump, avançou o Wall Street Journal. A premissa é escalar rapidamente a guerra de forma a não ter de usar ou usar menos munições defensivas, porque o Irão perderia a capacidade para atacar. Este plano, que está em análise entre outros, seria para executar em duas semanas. Ainda de acordo com o mesmo jornal, sendo certo que Trump se encontrava num estado de espírito alinhado com o plano - afinal disse na quarta-feira que os iranianos iriam “levar uma tareia” -, mas ainda ponderava “a profundidade da resposta”. IrãoO Irão prometeu “punir” os EUA depois de nas primeiras horas de quinta-feira estes terem realizado uma “forte onda de ataques”, a mais recente retaliação ao que Teerão fez às suas bases no Médio Oriente. Segundo o Centcom, foram alvejados “centros de comando militar, instalações de mísseis e drones, locais de vigilância e defesa costeira, e capacidades marítimas”. Além da já referida família morta, no noroeste, na província de Zanjan, três elementos dos Guardas da Revolução foram atingidos mortalmente, o que levou esse órgão a condenar o “brutal ataque pelo regime criminoso terrorista dos Estados Unidos”..Noutro desenvolvimento, a China desmentiu a notícia da Reuters de que uma empresa sua estaria prestes a fornecer centenas de sistemas de mísseis antiaéreos portáteis. Também o Paquistão, por onde passaria a encomenda, “rejeitou categoricamente” o que disse serem “especulações”. EgitoO conflito dissemina-se. Um navio-tanque de gás, propriedade dos EUA, e um cargueiro grego foram atingidos por drones no porto egípcio de Damietta, no mar Mediterrâneo, na quarta-feira. Para lá dos danos causados, o ataque - que não foi reivindicado - é um sinal de que o Irão pode expandir o papel disruptor na cadeia de abastecimento de energia, além do estreito de Ormuz e do Bab el-Mandeb, este último sob ameaça dos houthis. “É mais do mesmo, mas tudo se vai endireitar em breve. Entretanto, vamos atacá-los com força”, comentou Donald Trump, a propósito do ataque em Damietta.Na segunda-feira, a imprensa iraniana publicou um mapa de alvos energéticos ligados à Europa na costa mediterrânica do Egito e Damietta foi caracterizada como a “porta de entrada para exportações de gás para a Europa”. A reação ao sucedido deu-se através de um comunicado do Cairo sobre a conversa telefónica entre Abdel-Fattah el-Sisi e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, com o líder egípcio a ressaltar “a gravidade da escalada regional atual e a necessidade de o Egito, Espanha, Europa e a comunidade internacional mais ampla trabalharem juntos para conter as tensões”. Jordânia Poupada pela guerra até há poucas semanas, a Jordânia tornou-se num alvo privilegiado pelo Irão. O exército jordano anunciou ter derrubado cinco mísseis disparados do Irão e que visavam o território do reino. “Os mísseis foram detetados, intercetados e abatidos de acordo com os planos de defesa”, declarou um porta-voz do exército. Versão diferente têm os Guardas da Revolução. Dizem que, em vingança pela família morta em Qeshm, vários mísseis balísticos aterraram na base aérea de al-Azraq, tendo destruído três aviões F-35 e causou “danos graves” a três outros. “Vários oficiais inimigos e pessoal técnico e de manutenção também foram mortos neste ataque. A nossa região não é lugar para o exército infanticida que massacra cruelmente famílias inocentes no meio da noite enquanto dormem”, disseram os Guardas. Por fim, o Centcom desmentiu Teerão: “Nenhum avião dos EUA foi destruído ou danificado nas recentes tentativas de ataques iranianos. Todos os mísseis e drones foram intercetados ou não conseguiram atingir as áreas alvo”, lê-se na conta X do Comando Central.Koweit e BahreinUm trabalhador morreu num ataque contra um edifício de uma empresa chinesa no norte doo país, segundo noticiaram meios regionais. Do lado de Teerão, os Guardas da Revolução dizem ter atacado a base militar Ali al-Salem, que alberga tropas dos EUA. Dizem os iranianos que acertaram em dois hangares de drones, um tanque de combustível e helicópteros. Mais tarde também noticiaram o ataque a alvos dos EUA na base aérea Sheikh Isa, no Bahrein. A base tem sido alvo das forças iranianas durante a guerra.IraqueSalpicado também no conflito depois de um grupo pró-iraniano ter enviado drones para atingir forças dos EUA e infraestruturas petrolíferas na Arábia Saudita, no que resultou um contra-ataque conjunto de Riade e Washington que matou 20 milicianos. O porta-voz das forças iraquianas disse não haver provas de que os drones partiram do Iraque; mas o clérigo Muqtada al-Sadr, figura influente no país, xiita crítico de Teerão, criticou os líderes das milícias pelas suas “ações temerárias”. .Riade junta-se aos EUA em ataque contra aliados de Teerão no Iraque.Arábia SauditaRiade recebeu o apoio de 13 países para liderar uma coligação de defesa marítima durante uma reunião que juntou na quinta-feira 43 países e a União Europeia. A iniciativa surge em resposta à ameaça dos houthis, aliados do Irão, de bloquear os navios relacionados com a Arábia Saudita no estreito de Bab el-Mandeb. Na véspera, o irmão de Mohammed bin Salman, Khalid, ministro da Defesa, encontrou-se com Trump e J.D. Vance para levar uma mensagem de que o reino de Saud quer baixar as tensões com o Irão.LíbanoDiplomatas de Beirute e de Telavive devem encontrar-se em nova ronda de negociações na terça-feira, em Roma. O alargamento das zonas-piloto em que as tropas israelitas desocupam em favor das libanesas é um dos temas, tendo o comandante do exército libanês comprometido em completar o destacamento no sul do país. No mesmo dia, porém, as forças israelitas bombardearam a cidade de Taybeh, no sul do Líbano. Para o Irão, a paz só poderá ser alcançada se Israel abrir mão de atacar o Hezbollah, o poderoso grupo xiita seu aliado.Senadores querem contas certas no Pentágono Os senadores Bernie Sanders (independente eleito pelos democratas) e Chuck Grassley (republicano) apresentaram um projeto de lei de auditoria ao Pentágono, que prevê penalizações financeiras caso o agora Departamento de Guerra não passe numa auditoria independente. A legislação prevê que qualquer componente do Pentágono que falhe a auditoria teria 2% do orçamento devolvido ao Tesouro para redução do défice. O Pentágono é a única das grandes agências federais a nunca ter passado numa auditoria financeira, como é de lei. Na oitava auditoria consecutiva falhada, o Gabinete do inspetor-geral do Pentágono identificou 26 falhas graves de auditoria. Os senadores dão como exemplo de desperdício e fraude um programa de mísseis balísticos de 77 mil milhões de dólares que já vai em 144 mil milhões e sete anos de atraso..Trump tenta fechar caixa de Pandora nuclear ao condicionar acordo com a Arábia Saudita.O “impasse mutuamente doloroso” dos EUA e do Irão