180 jovens belgas detidos em protestos inspirados nos franceses
Os protestos que se iniciaram nos liceus franceses já ultrapassaram as fronteiras do país. Nos últimos dias, a capital regional Liége e outras localidades da zona francófona da Bélgica foram palco de manifestações que acabaram em confrontos com a polícia, e que já causaram 180 detidos.
De acordo com a agência de notícias Belga, só na terça-feira, 53 pessoas foram detidas. Esta quarta-feira, cerca de mil pessoas saíram às ruas em Liége, argumentando estar a pedir melhores condições para estudar e protestar contra a subida dos preços da educação e dos passes de transportes.
Segundo a emissora belga RTBF, cidades como Arlon, Charleroi, Mons e até a capital Bruxelas tiveram protestos nos últimos dias. Na capital da Valónia, a maioria das escolas estiveram fechadas devido a protestos, que acabaram em confrontos com a rua. Segundo a agência Belga, um autocarro foi incendiado.
Esta quarta-feira, noticiou a Reuters, a polícia chegou mesmo a revistar jovens para ver se têm armas. Canhões de água foram lançados pela polícia para dispersar manifestantes, segundo a RTL belga. Uma loja FNAC foi alvo de pilhagens
"Estou farto de que não nos ouçam", afirmou Timéo, jovem de 18 anos que protestava em Liége. "Dizem-nos 'voltem para as vossas salas de aula', mas ninguém na história mudou alguma coisa assim. Vamos continuar até que nos ouçam", garantiu à agência.
Apesar de surgirem ao mesmo tempo que os protestos franceses, a tensão entre manifestantes e o governo belga já rebentou em junho devido a reformas que implicaram aumento das propinas na comunidade francesa, que passaram de 835 euros para 1194 euros
A ligação entre os protestos dos belgas e franceses não é, porém, só coincidência temporal. À Reuters, alguns dos manifestantes em Liége contaram que estavam em contacto com os movimentos em França.
"Apoiamo-nos uns aos outros porque enfrentamos praticamente os mesmos problemas", disse Alfred, de 19 anos, à agência. Já Amelia sublinhou mesmo que a França os influenciou "um pouco".
"Quando vimos que nada mudava sem protestos, decidimos que íamos começar", acrescentou. "Não quero que haja um fosso entre a polícia e os jovens", acrescentou.
O presidente da Câmara de Liège, Willy Demeyer, o chefe da polícia Jean-Marc Demelenne e representantes de alunos e escolas reuniram-se para tentar aproximar posições e para os estudantes contestarem as ações policiais.
Demeyer considerou "legítima" a luta dos estudantes, mas criticou os "atos de vandalismo". "Não quero que haja um fosso entre a polícia e os jovens", acrescentou.

