Arielle e Heitor, do Instituto UM, que lançará o site.
Arielle e Heitor, do Instituto UM, que lançará o site.Foto: Reinaldo Rodrigues

Integração e inovação cívica. ‘Fica, Imigrante’ é lançado esta segunda-feira em Lisboa

Evento de apresentação será na Fábrica Braço de Prata e aberto ao público, a partir das 19h00, com roda de conversa e atrações musicais.
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Começou com um encontro às segundas-feiras na Fábrica Braço de Prata, entre diálogos, desabafos e troca de ideias sobre a vida da comunidade imigrante em Portugal. Os relatos eram semelhantes: angústia, inquietação com tantas mudanças políticas e sociais, vontade de ouvir e de ser ouvido, mas também de mostrar como a presença dos imigrantes é importante.

Em poucos encontros, ficou claro que era necessário congregar esforços para fazer algo diante deste cenário. Assim nasceu o 'Fica, Imigrante', projeto que será lançado em Lisboa, na Fábrica Braço de Prata, local onde nasceu. O evento será esta noite, 12 de janeiro, a partir das 19h00.

O projeto é uma plataforma digital com foco em imigração e inovação cívica. “O site é a primeira de uma série de ferramentas que queremos lançar com foco em imigração e inovação cívica”, explicam ao DN os criadores da plataforma, Arielle Asensi, Heitor Cavalcanti, sócios fundadores do Instituto UM (leia a reportagem sobre o instituto).

Mais do que ajudar as pessoas migrantes com questões práticas, outro objetivo é estimular o pensamento crítico e fortalecer a comunidade no atual cenário do país. “O projeto chega para abrir as portas de uma nova era de acolhimento com as comunidades imigrantes e tem como objetivo auxiliar e responder, com evidência e pensamento crítico, às novas demandas das pessoas imigrantes frente às alterações legislativas, o aumento dos discursos de ódio e de atos de violência institucional”, refletem.

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Para o lançamento, o primeiro projeto disponível ao público é um flow interativo (um percurso de perguntas e respostas), pensado para ajudar a pessoa a se orientar e chegar ao contexto mais provável do seu caso. “A estratégia é digital, mas por trás existe um ecossistema aberto, relacional e presencial que, através da orquestração de profissionais de diversas disciplinas e competências, consegue projetar, testar e escalar soluções em ambientes reais e dar respostas através da plataforma”, reforçam.

Apesar de existir uma estratégia digital, para ser acessível a todos, um dos pilares é o senso de comunidade. Por isso, os encontros presenciais nas segundas à noite na Fábrica Braço de Prata são importantes. “A Fábrica sempre apoia os desprotegidos, cidadãos, artistas independentes, migrantes, de todos que fazem parte do despertar das consciências. Por isso, o Lab, o 'Fica, Imigrante', o já desativado projeto Fábrica Manifesta, as Feiras Culturais, e outros encontros dedicados à questões sociais sensíveis tem espaço de desenvolvimento com o apoio da estrutura da Fábrica”, destacam Luha Vieira e João Innecco, que coordenam o espaço.

O encontro semanal está sempre de portas abertas a todas as pessoas. “O LAB é onde a colaboração vira relação e continuidade. Participar das conversas, trazer um caso real, ajudar a organizar uma sessão, dar apoio a quem chega pela primeira vez, ou simplesmente aparecer e escutar, porque isso também é construção. É ali que a gente entende melhor as necessidades, conecta pessoas que não se encontrariam sozinhas, identifica gargalos e cria rotinas de suporte”, detalham.

Sobre o aspecto do engajamento presencial da comunidade, os brasileiros entendem que existem dificuldades do dia a dia, mas querem incentivar essa participação. “A unidade das comunidades são as pessoas, e, para muitas pessoas imigrantes, a vida já está no limite de energia e tempo. Entre processos administrativos, trabalho, renda instável, família, saúde mental e incerteza sobre prazos, pedir que elas façam mais para organizar e sustentar uma união comunitária pode ser irrealista e até injusto. É muito difícil construir união quando as pessoas não se sentem valorizadas, seguras e respeitadas. Sem esse reconhecimento, a comunidade tende a ficar fragmentada, porque cada um precisa priorizar o próprio caso e a própria sobrevivência”, alertam.

E reforçam também o papel do diálogo com todos, em especial com a comunidade portuguesa. “Portugal tem as suas dores. Há pressão em habitação, serviços públicos, trabalho, custo de vida, e uma sensação difusa de ‘’descontrolo’ que facilmente vira ruído, medo e polarização. Se a integração ignora esse contexto, ela não se sustenta. Escuta e diálogo servem justamente para transformar esse ruído em algo que dá para compreender, priorizar e resolver”, defendem.

Depois do lançamento, outras iniciativas serão apresentadas, sempre a partir das demandas que chegam da comunidade. O site é o www.ficaimigrante.org, com o mesmo nome nas redes sociais.

amanda.lima@dn.pt

Este texto está publicado na edição impressa do Diário de Notícias desta segunda-feira, 12 de janeiro.
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