CaixaBank estuda compra do Cetelem em Portugal e Espanha por valores a rondar os mil milhões
O CaixaBank está a estudar a aquisição do negócio de crédito ao consumo do Cetelem na Península Ibérica, uma transação que se estima poder ascender a mil milhões de euros. De acordo com informações avançadas pela agência Reuters, que cita o jornal financeiro Expansión, o grupo bancário espanhol recorreu aos serviços de consultoria da Morgan Stanley para avaliar a viabilidade da compra.
O perímetro desta potencial transação limita-se estritamente à divisão de financiamento ao consumo que a marca do grupo francês BNP Paribas opera em solo português e espanhol, não englobando as restantes áreas de atividade da instituição.
A decisão de alienação parte do próprio BNP Paribas, que colocou este ativo no mercado como parte de uma restruturação da sua estratégia de negócio. O banco francês chegou mesmo a solicitar propostas não vinculativas a potenciais compradores ao longo dos meses de verão, apontando os analistas para um encaixe financeiro que deverá oscilar entre os 900 milhões e os mil milhões de euros.
Para o CaixaBank, esta transação representaria uma oportunidade estratégica para expandir a sua carteira de financiamento ao consumo, um segmento que regista forte dinamismo no país.
Segundo dados recolhidos pela Reuters, os níveis de crédito ao consumo em Espanha aproximam-se dos máximos históricos registados antes da crise financeira global, impulsionados pela retoma económica e pelo aumento da procura.
Esta evolução espelha também uma tendência do setor bancário, que tem vindo a desviar o foco do crédito à habitação para produtos de financiamento alternativos, caracterizados por uma maior rentabilidade, mas também por um perfil de risco superior.
Até ao momento, tanto o CaixaBank como o BNP Paribas e a Cetelem optaram por não comentar as informações publicadas pelo diário espanhol. Do mesmo modo, os representantes da Morgan Stanley não emitiram qualquer reação imediata aos pedidos de esclarecimento sobre o processo.
A colocação deste ativo no mercado insere-se numa reestruturação estratégica global por parte do BNP Paribas, que desafiou os potenciais compradores a avançar com manifestações de interesse não vinculativas durante o período de verão.
Esta transação surge inserida numa vaga mais ampla de reconfiguração do negócio de financiamento ao consumo no espaço europeu. Num cenário de forte concorrência, o setor bancário tem vindo a reorganizar as suas operações, procurando concentrar o capital disponível e os recursos operacionais exclusivamente nas áreas de negócio que considera mais rentáveis e estratégicas.

