A grande maioria dos participantes na edição de julho do Barómetro DN/Aximage não ficaram satisfeitos com as explicações dadas pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, na sequência de notícias sobre as suas ligações ao empreiteiro João Santos Carvalho, cuja empresa Construbarcelos obteve adjudicações de contratos da Polícia Judiciária quando o agora governante era diretor nacional dessa entidade. Nas 501 entrevistas realizadas na segunda-feira e na terça-feira, 20 e 21 de julho, após o semanário Nascer do Sol revelar que um atrelado apreendido numa operação de combate a tráfico de droga foi encontrado na posse do empresário, 71% dos inquiridos consideraram as explicações insuficientes, com 17% a responderem o contrário.A insatisfação com as escassas declarações proferidas por Luís Neves nos últimos dias, desde que a manchete da edição de 10 de julho do Nascer do Sol deu conta de obras realizadas numa propriedade do ministro, no concelho alentejano de Odemira, por um empreiteiro com histórico de contratos com a Polícia Judiciária e que se apresenta como seu amigo, é generalizada no Barómetro DN/Aximage. E também entre os inquiridos que votaram na AD nas últimas legislativas, com apenas 28% a considerarem suficientes, contra 60% que dizem ser insuficientes, embora seja esse o segmento mais propenso a aceitar as explicações de Neves, que apresentou fotografias de duas faturas de pagamento de obras, assegurando estar “tudo limpinho” e não ter retirado qualquer benefício pessoal, sem deixar de admitir que “hoje faria diferente” - no final da tarde de terça-feira acrescentou, numa declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, que “ainda bem que foi aberta” uma investigação do Ministério Público às circunstâncias em que o atrelado, anteriormente utilizado como uma espécie de laboratório móvel para o fabrico de estupefacientes, saiu de um parque de apreendidos da Autoridade Marítima, no Seixal, e foi levado para as instalações da empresa de João Santos Carvalho, em Barcelos, dias após a direção nacional da Polícia Judiciária ter aberto um inquérito interno.Particularmente indisponíveis para acreditar no ministro da Administração Interna estão os entrevistados pela Aximage que são eleitores dos principais partidos da oposição. O saldo mais negativo ocorre entre aqueles que votaram no Chega nas legislativas de 2025, com apenas 13% a considerarem as explicações de Luís Neves suficientes, contra 82% que responderam o contrário. Mas apesar de José Luís Carneiro ser até agora menos reivindicativo do que André Ventura quanto a um novo titular na pasta exercida anteriormente por Margarida Blasco e por Maria Lúcia Amaral, também os eleitores do PS manifestam clara desconfiança, com 73% a verem as explicações de Neves como insuficientes e apenas 13% como suficientes. Uma tendência que se repete entre os eleitores dos restantes partidos, embora com menor relevância estatística, devido à exiguidade do número de respostas.. Noutros indicadores, destaca-se uma significativa diferença de género naqueles que não sabem ou não respondem, o que sucedeu com 15% dos entrevistados do sexo feminino e apenas 8% do sexo masculino. E a maior capacidade de aceitar as explicações de Luís Neves que os mais jovens demonstram, pois nos inquiridos com 18 a 34 anos houve 26% que ficaram satisfeitos com as respostas dadas pelo governante - muito aquém, ainda assim, dos 62% que consideram o contrário -, enquanto somente 14% dos mais velhos, com 65 anos ou mais, lhe concederam igual benefício. As posições mais favoráveis ao antigo diretor nacional da Polícia Judiciária também são visíveis na Classe A/B, com maiores rendimentos, segmento em que 21% dos inquiridos apontam as suas explicações quanto às ligações ao empreiteiro João Santos Carvalho como suficientes. Por curiosidade, a região onde os resultados lhe são menos desfavoráveis (Sul e Ilhas), com 22% de inquiridos satisfeitos com as declarações do polícia de carreira que entrou para o Governo no início do ano, é aquela em que está o monte alentejano onde calcula ir gastar entre 20 a 30 mil euros em obras que incluem o que descreveu como um tanque, mas tem sido identificado como uma piscina.Também dos resultados do Barómetro DN/Aximage fica claro que mais de dois terços dos inquiridos reconhecem a relevância da polémica em torno do ministro da Administração Interna. O caso é considerado muito importante por 32% e importante por 35%, enquanto 17% não lhe dão nem muita nem pouca importância. Menos são os 7% que respondem ser pouco importante, com 5% a verem o caso como nada importante. Os eleitores da AD reconhecem a existência do problema, que 26% dizem ser muito importante e 37% importante - apenas 10% dizem ser pouco importante e 7% nada importante -, mas são os que votaram no Chega e no PS em 2025 que se destacam na perceção de impacto negativo para o Governo: entre os primeiros, 46% consideram o caso muito importante e 24% importante, enquanto nos segundos há 36% a optar pelo muito importante e 38% pelo importante.Menos inclinados a dar importância ao caso estão os entrevistados entre os 18 e os 34 anos. “Apenas” 22% dizem que o caso é muito importante e 34% que é importante..Ficha técnica.Objetivo do estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage, Lda., para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 501 entrevistas CAWI; 246 homens e 255 mulheres; 103 entre os 18 e os 34 anos, 125 entre os 35 e os 49 anos, 133 entre os 50 e os 64 anos e 140 para os 65 e mais anos; Norte 183, Centro 113, Sul e Ilhas 66, Área Metropolitana de Lisboa 139.Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 20 e 21 de julho de 2026.Taxa de resposta: 93,30%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.Responsabilidade do estudo: Aximage, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio.