Aeroporto de Lisboa. O verão está a chegar e o "caos" nas chegadas também

Neste fim de semana, os turistas que chegaram ao aeroporto de Lisboa depararam-se com longas filas de espera no controlo de passaportes. A imagem fez lembrar o "caos" de anos anteriores, que os operadores turísticos classificam de "intolerável".

"Uma imagem vale mais do que mil palavras", assinala Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal. Refere-se à fotografia captada neste domingo na zona de chegadas do Aeroporto Humberto Delgado. Uma multidão de passageiros, grande parte proveniente de voos transcontinentais dos Estados Unidos e do Brasil, desesperou para conseguir passar o controlo de passaportes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

De acordo com testemunhos locais, entre as 11.00 e as 12.30 as esperas chegaram a alcançar as três horas, o que para quem acaba de voar uma média de oito horas é ainda mais penoso. Idêntico cenário aconteceu também no sábado, assegurou ao DN fonte aeroportuária.

A faltarem ainda três anos para a construção do novo aeroporto no Montijo, com o verão à porta e o turismo a crescer, os operadores e as linhas aéreas temem que se repita o cenário que o jornal espanhol El País classificou de "caos".

"É intolerável que esta situação se repita", sublinha Francisco Calheiros. "Não estamos a falar de um problema novo, com um dia ou um mês. Esta é a primeira imagem que um turista tem de Portugal", acrescenta.

Este responsável sublinha que a CPT "tem falado com o SEF", defendendo que "no mínimo, nas horas de maior fluxo de chegadas, as boxes (cabinas de controlo de passaportes) devem estar todas a funcionar, o que nem sempre acontece. O resto são detalhes". Calheiros lembra que Portugal "é um país periférico e que o facto de ter um aeroporto no centro da cidade deve ser uma vantagem competitiva e não o contrário".

O presidente da CPT revela que "os últimos dados sobre os tempos de espera indicam que as coisas não melhoraram". No entanto, perante a perspetiva de "não haver uma diminuição no número de turistas", espera que "daqui até julho a situação não seja pior. Tem de haver algum alívio".

"Reduzido número de efetivos" no SEF

Há menos de um ano, em declarações ao DN sobre situações idênticas que já se verificavam, a ANA avançava que, apesar de "investimentos para aumento de capacidade aeroportuária", não figuravam "nos investimentos obrigatórios do contrato de concessão".

Mas, antecipando os constrangimentos que se avizinhavam, tinha alinhado um plano para fazer algumas intervenções até ao final do ano - embora as obras de maior impacto estivessem programadas para depois do período critico, como era o caso da duplicação dos canais de embarque. Ainda assim, na zona que era e continua a ser alvo as maiores críticas, o controlo de passaportes, não estava prevista nenhuma intervenção.

Na verdade, o contrato de concessão exclui a zona do SEF na responsabilidade da ANA. Tal como o controlo de segurança nas partidas, que também não faz parte das "obrigações do nível de serviço". Aqui, segundo a empresa, as entidades públicas é que terão de responder.

Confrontada com a fotografia e o vídeo deste domingo, a ANA não muda de ideias. Sublinha que "as imagens enviadas referem-se à zona de controlo de fronteira do país, gerida pelo SEF" e que "no dia em causa, os tempos de espera foram superiores à média, devido ao reduzido número de efetivos nos postos de fronteira, à entrada do país, nos horários de pico".

A porta-voz da empresa gestora, a francesa Vinci, avança ainda que "só uma efetiva afetação dos recursos e uma utilização dos postos de fronteira na sua plenitude resultará numa melhoria efetiva dos tempos de espera, não sendo este um tema de espaço".

32 voos com 6351 passageiros

Fonte oficial do SEF contraria a análise da ANA quanto ao "reduzido número de efetivos". Embora não explique a causa das longas e demoradas filas, garante que "no geral, as boxes estão ocupadas de acordo com os picos de chegadas que se verificam". Em relação a domingo, "dia 28 de abril, entre as 06.00 e as 11.00, estiveram ocupadas, em média, 12 boxes, sendo que nos períodos de maior afluxo se registou uma ocupação de 15 boxes" - num total de 16.

Assinala ainda que, nesse dia, "foram controlados no aeroporto de Lisboa, e só entre as 06.00 e as 11.00, 32 voos com 6351 passageiros". Em março passado, o SEF anunciou para o aeroporto de Lisboa mais 22 inspetores, a partir de 1 de abril, para "antecipar" o maior fluxo de verão. Estes inspetores juntam-se aos 195 que já ali prestam serviço, aos quais ainda se vão associar mais 68 estagiários em junho - embora neste caso só possam exercer as funções de fiscalização acompanhados por inspetores mais antigos.

Ainda segundo este serviço, "o SEF tem vindo a colaborar com a ANA/Vinci no sentido de assegurar a articulação de estratégias e a implementação de melhores soluções naquela estrutura aeroportuária, que terão de passar por novas áreas de controlo de passageiros". Salienta que "decorre no aeroporto de Lisboa a substituição dos equipamentos afetos ao controlo de fronteira automático (28 egates RAPID, no terminal 1 do aeroporto), substituindo as egates existentes por equipamentos mais recentes e mais responsivos".

Lisboa é responsável pela entrada de 53% dos turistas que chegam por via aérea a Portugal. No ano passado, os aeroportos portugueses receberam 55 milhões de passageiros. Só o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, acolheu 29 milhões de pessoas.

Exclusivos