Covid-19 ganha nova força em Espanha e atira país para cauda da Europa

O aumento de infeções pelo novo coronavírus em Espanha obrigou vários governos regionais a implementar novas medidas restritivas para travar a propagação do contágio de covid-19. É o caso de Madrid que torna o uso de máscara obrigatório em espaços fechados e abertos.

Com o aumento de casos de covid-19 Espanha não está a conseguir achatar a curva epidemiológica de infeções pelo novo coronavírus. É um dos países da União Europeia que está a deparar-se com uma subida de novos casos da doença, o que já obrigou várias regiões a recuar no desconfinamento e a aplicar medidas restritivas para travar a propagação do contágio.

O contínuo aumento de infeções levou Espanha a ter o pior registo entre os países na União Europeia nos últimos dois meses, escreve o ABC que se baseia no site de monitorização 91-DIVOC, que compila os dados da Universidade Johns Hopkins sobre a pandemia.

Nas últimas oito semanas, os casos de covid-19 dispararam em Espanha, que surge destacada no gráfico comparativo entre países. Alemanha, França e Itália também estão a lidar com um aumento de infeções pelo novo coronavírus, segundo o portal 91-DIVOC, que mostra o impacto do novo coronavírus em cada país a partir do dia em que cada um registou 100 casos de covid-19.

O gráfico mostra, por exemplo, que na sexta-feira, dia 24 de julho, o Ministério da Saúde espanhol reportou ​​​​​2.255 novos casos de infeção, sendo que a média de casos confirmados por dia nos sete dias anteriores era de 1.738. Nesse mesmo dia, França registou 942 casos e a Alemanha 742. Já em Portugal verificaram-se nessa sexta-feira mais 313 novos casos, sendo que a média de infeções diárias nos últimos sete dias era de 230,7.

Madrid torna o uso de máscara obrigatório e Catalunha vive situação "muito crítica"

De acordo com os dados mais recentes do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), divulgados esta terça-feira, 28 de julho, nos últimos 14 dias, Espanha apresenta uma taxa de incidência de 47, 2 casos por 100.000 habitantes, enquanto a de Portugal situa-se nos 33,9.

Também de acordo com os dados do ECDC, a região de Aragão está à frente de todos os países europeus, com uma taxa de incidência de 238 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias, em comparação com 219 registados no Luxemburgo.

O crescimento de novos casos no país levou várias regiões a tomar medidas restritivas. Na Catalunha, por exemplo, o presidente do governo regional, Quim Torra, falou, na segunda-feira, numa situação "muito crítica". O surgimento de novas infeções obrigou o executivo catalão a determinar o encerramento de espaços noturnos e a proibição de reuniões com mais de 10 pessoas. Caso a situação epidemiológica da região não melhore, Torra não descarta o regresso ao confinamento na região.

Já na comunidade de Madrid foi decretado esta terça-feira o uso obrigatório de máscaras de proteção em todos os espaços, abertos ou fechados. O governo desta região autónoma fez saber ainda que vai ordenar o encerramento de bares e esplanadas às 01:30 e ordenar às autoridades a consulta de documentos de identificação (Bilhete de Identidade) aos clientes dos estabelecimentos para "facilitar o rastreio" de casos positivos de SARS CoV-2.

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, anunciou a "Estratégia de Continuidade", uma série de medidas contra a propagação de covid-19 no sentido de se evitarem novos surtos da doença. Entre as medidas anunciadas, Ayuso assinalou o uso obrigatório de máscaras de proteção sanitária para maiores de seis anos de idade, a partir de quinta-feira, em todos os espaços públicos assim como a manutenção da distância de segurança entre pessoas.

Nas reuniões no exterior ou em espaços fechados o número máximo de pessoas não pode ultrapassar as dez e recomenda-se que o mesmo número limite seja respeitado mesmo que se trate de encontros nos domicílios.

De acordo com as normais divulgadas esta terça-feira vai ser obrigatório que os clientes deixem ficar nos estabelecimentos que frequentarem os dados de identificação para que eventualmente "possam ser rastreados rapidamente" casos positivos de covid-19.

Reino Unido e Alemanha desaconselham viagens "não essenciais" a Espanha

Perante este aumento de casos de covid-19 no país vizinho, no fim de semana, o Reino Unido desaconselhou as viagens "não essenciais" para Espanha e retirou o país da lista de estados que rotula de seguros, o que significa que os viajantes regressados, seja do continente, seja das ilhas terão de passar a cumprir uma quarentena.

Também o governo alemão fez saber esta terça-feira que desaconselha viagens "não essenciais" e turísticas às regiões espanholas de Aragão, Catalunha e Navarra devido ao "número elevado de infeções" de covid-19.

"Há atualmente novos surtos regionais" nas três regiões, refere o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha numa nota publicada no portal oficial referindo-se especificamente a Aragão, Catalunha e Navarra.

Na segunda-feira, Espanha comunicou que tinha registado 855 novos contágios pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, mais de metade dos quais, 474, diagnosticados na comunidade autónoma de Aragão, no nordeste do país.

Antes da decisão do executivo alemão, o Ministério dos Negócios estrangeiros espanhol regiu à decisão do Reino Unido dizendo que "como outros países europeus, a Espanha tem surtos" e que "o mais importante" é que o país "está a fazer um grande esforço para controlar estes surtos", disse Arancha González Laya, citada pela AFP.

A ministra acrescentou que os principais surtos detetados no país estão controlados.

Apesar da posição de Madrid de que a situação está sob controlo, Espanha poderá correr o risco de ver manchada a sua reputação internacional com o aumento de casos e com vários países a desaconselhar viagens para as regiões afetadas?

A marca Espanha "é mais resiliente do que parece", respondeu Manuel Muñiz, secretário de Estado para a Espanha Global. "Em termos de imagem, não houve um desgaste enorme", considerou em declarações ao El País. Com os novos surtos, "Espanha está a sofrer, mas também vários países europeus", afirmou.

"Se a Espanha conseguir controlar os surtos, não haverá grandes problemas de imagem, mas se a situação piorar e se enraizar, as coisas mudam", disse Ignacio Molina, do Instituto Elcano.

Para Dharmendra Kanani, diretor do think tank Friends for Europe, Espanha não vai ter um grave problema de imagem com a crise sanitária. "Este não é um problema de reputação. A questão é que os governos não têm sido claros ao comunicar o que é aceitável fazer e o que não é, o que protege e o que não. Em parte porque ainda não sabemos exatamente como o vírus funciona", defendeu.

Kanani defende que devia haver um maior diálogo entre a Comissão Europeia e os estados-membros para descartar "o dramatismo" e enfrentar o problema com uma resposta comum.

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