Os Jogos mais caros de sempre no novo mundo do coronavírus

Decisão de adiar a competição teve enormes custos financeiros. Japão apostou em fortes medidas preventivas para que o evento seja também um símbolo de esperança.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 foram os primeiros (e únicos) em toda a história a ser adiados - as edições de 1916, 1940 e 1944 não se realizaram por terem sido canceladas devido às duas Guerras Mundiais. Culpa da pandemia que virou o mundo ao contrário e obrigou a adiar tudo, até o maior evento desportivo do planeta, para 2021. Mas haverá perigo de poderem ser novamente adiados? À partida não, ou seja, entre 23 de julho e 8 de agosto a competição deverá mesmo realizar-se, e essa decisão já foi assumida pelos principais responsáveis.

Em novembro, respondendo a muitas dúvidas e interrogações relacionadas com a covid-19, Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), foi categórico. "Estamos preparados para uns Jogos seguros, quaisquer que sejam as condições que o mundo esteja a enfrentar no próximo verão. Estamos a trabalhar a todo o gás, com os nossos parceiros e amigos, para garantir os Jogos no mundo novo com coronavírus", referiu o líder do COI numa mensagem em vídeo, repetindo dezenas de vezes a palavra-chave: "Segurança." Yoshihide Suga, o primeiro-ministro japonês, reforçou esta convicção, garantindo que os Jogos de Tóquio "vão ser a prova de que a humanidade venceu o vírus".

De acordo com a organização, os Jogos Olímpicos de Tóquio vão custar cerca de 13 mil milhões de euros, os mais caros da história, contando já com um aumento orçamental provocado pelo adiamento para 2021 devido à pandemia.

O novo orçamento, cerca de 2,3 mil milhões superior ao que tinha sido anunciado, confirma as expectativas de um custo adicional provocado pelo adiamento e pelas medidas sanitárias de combate à propagação da covid-19. Estes valores tornam estes Jogos os mais caros de sempre, superando Londres 2012, que custaram cerca de 12,2 mil milhões de euros.

O adiamento causou diversos constrangimentos, sobretudo a nível logístico e financeiro, obrigando a prorrogar contratos, a renegociar acordos com patrocinadores e a reembolsar cerca de 800 mil bilhetes que já estavam vendidos.

Ainda não são conhecidas todas as medidas de segurança que serão adotadas. Sabe-se, contudo, que os cerca de 11 mil atletas que vão participar nos Jogos deverão realizar testes de covid a cada quatro ou cinco dias durante a competição. Além disso, o plano de contingência prevê ainda que os desportistas realizem testes à chegada à aldeia olímpica e antes e depois das provas.

Há também a questão do público, uma matéria que ainda não está completamente fechada. Mas existe praticamente a certeza que o número de espectadores será reduzido, e todo e qualquer visitante está obrigado a realizar um teste 72 horas antes de viajar para o Japão e outro à chegada ao país.

Em relação ao protocolo de segurança caso seja descoberto algum surto de covid-19, o cenário está ainda a ser estudado em conjunto com as autoridades locais. Mas o facto de já existir vacina aumenta a esperança de que a competição possa decorrer sem problemas de maior.

A forma física dos atletas

Mas a desconfiança devido à pandemia é muita. Isso mesmo ficou expresso num recente inquérito à população japonesa, com a maioria a afirmar que preferia que a competição fosse outra vez adiada ou até cancelada, e isto já com a notícia da chegada das vacinas.

Segundo o inquérito, cerca de 80% dos voluntários temem a disseminação do coronavírus. Apenas 27% dos entrevistados apoiam a realização dos Jogos no verão, 32% são a favor do cancelamento e 31% defendem um novo adiamento. Os restantes não têm a certeza ou não responderam.

Uma das maiores interrogações prende-se com a forma física como os atletas vão chegar à maior competição desportiva do planeta, isto porque o adiamento dos Jogos e o contexto de pandemia alteraram por completo a rotina dos desportistas; quase não houve competições e mesmo em relação ao treino houve muitas limitações.

Pegando em exemplos portugueses, Patrícia Mamona (triplo salto), durante grande parte do confinamento, montou um pequeno ginásio na garagem. E a ginasta Filipa Martins fez da sala de estar um pavilhão pessoal. Na natação, Alexis Santos chegou a estar bastante tempo sem treinar em piscina. Problemas, contudo, que acabaram por ser resolvidos, mas faltou-lhes a competição a sério.

Rússia fica de fora

Tal como esperado, a Rússia será a grande ausente dos Jogos de Tóquio. Neste mês, o Tribunal Arbitral dos Desportos (TAS) decidiu excluir o país de todas as grandes competições desportivas mundiais por um período de dois anos. Em causa está o facto de a Rússia ter violado as regras de antidoping. Os atletas do país que nunca foram apanhados em falso, no entanto, poderão participar no evento, mas sob bandeira neutra.

Os Jogos Olímpicos do próximo verão vão contar com cinco novas modalidades: basebol, karaté, escalada, skate e surf. Em relação às duas primeiras, as escolhas explicam-se por serem disciplinas com grande tradição no Japão. As restantes fazem parte da estratégia do COI para atrair a atenção da audiência mais jovem. No surf, Portugal estará representado por Frederico Morais, que já tem lugar assegurado.

É neste clima de alguma incerteza devido à covid-19 que a competição se vai realizar no próximo verão, com a organização apostada em que o evento funcione também como um símbolo de esperança. Portugal tem para já 36 atletas confirmados, com destaque para João Vieira (50 km marcha), que, aos 43 anos, se vai tornar o segundo representante português com mais presenças em Jogos (seis), a uma do velejador João Rodrigues.

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