Bas Dost saiu. Quem resiste da era Jesus no esquema de Keizer?

No habitual onze leonino do treinador holandês, só Bruno Fernandes, Acuña, Mathieu e Coates fazem parte da herança deixada por Jorge Jesus.

Bruno Fernandes, Acuña, Mathieu e Coates são os quatro resistentes da era Jesus na estrutura-base de Keizer. Em Portimão, os leões entraram em campo com Renan, Thierry Correia, Coates, Mathieu, Acuña, Doumbia, Bruno Fernandes, Wendel, Raphinha, Luiz Phellype e Vietto. Um onze muito diferente do que se viu pela mão de Jorge Jesus, quando chegou a ser Bas Dost (ontem oficializado no Eintracht Frankfurt) e mais dez.

O Sporting do primeiro ano de Jesus destacava-se pela forma como conseguia explorar o jogo interior, utilizando João Mário e Bryan Ruiz nas alas. O treinador português soube montar um modelo de jogo explorando o corredor central e o jogo interior, aproximando João Mário e Bryan Ruiz dos restantes médios e dos dois avançados (Slimani e Teo Guitérrez), mais móveis do que Bas Dost, por exemplo. Com uma linha média composta por Bryan Ruiz, João Mário, William Carvalho e Adrien, a equipa sentia-se confortável com a bola desde que ela saía dos pés de Rui Patrício.

Na época 2016-17, João Mário foi para o Inter, sendo "substituído" por Gelson Martins, que não tinha a mesma capacidade em zonas interiores. Teo Guitérrez também saiu e Jesus puxou Bryan Ruiz para o meio, deixando a esquerda órfã de alguma criatividade, mas dando um companheiro a Bas Dost lá mais para o fim do campeonato. A dupla combativa William e Adrien manteve-se e o quarteto defensivo ganhou equilíbrio com a chegada de Rúben Semedo (que estava emprestado ao Vit. Setúbal) para jogar ao lado de Coates, com João Pereira e Schelotto a dividirem o lado direito da defesa e Jefferson na esquerda.

No ano seguinte, em 2017-18, Jesus manteve a estrutura-base e ganhou reforços de peso para a defesa, como Mathieu (vindo do Barcelona) e Coentrão (vindo do Real Madrid), um médio chamado Bruno Fernandes e um extremo, Marcos Acuña. Três deles ainda resistem no esquema de Keizer.

Rescisões mudaram rosto da equipa

Em 2018-19, tudo mudou no reino do leão. Fruto das rescisões unilaterais, na sequência dos ataques à Academia do dia 15 de maio de 2018, a equipa leonina ficou delapidada em alguns valores, como William Carvalho, Rui Patrício, Gelson Martins e os menos utilizados Rafael Leão, Podence e Rúben Ribeiro. Bas Dost, Battaglia e Bruno Fernandes ainda voltaram atrás, mas os danos eram irreparáveis. A começar pela baliza: Rui Patrício deixou o lugar que era seu desde 2006.

Também o treinador saiu e deu lugar a outro. Peseiro assumiu a equipa na época da transição, mas com a chegada de um novo presidente (Frederico Varandas) acabou também ele por sair e dar lugar a Marcel Keizer.

Renan (ainda dividiu titularidade com Salin no primeiro ano de Keizer) assumiu a baliza. Na lateral direita Piccini saiu e chegou Bruno Gaspar, mas o caminho ficou livre para a progressão de Thierry Correia, o jovem de 19 anos que já tinha sido chamado aos treinos com Jesus.

Juntando algumas vezes três elementos, sejam eles três centrais ou dois centrais e um lateral mais recuado, o holandês privilegia uma construção mais exterior (trocando as posições de Wendel e de Bruno Fernandes). No centro da defesa, apesar da contratação de Neto, Mathieu e Coates resistem como dupla, assim como o treinador resiste a jogar com três centrais. No lado esquerdo reina Acuña. O argentino que tinha sido testado a lateral pelo antigo técnico é agora defesa a tempo inteiro. No meio-campo primeiro saiu Adrien e depois William. Apenas Bruno Fernandes se mantém de pedra e cal e agora promovido a capitão. O transportador Battaglia lesionou-se com gravidade e obrigou Keizer a olhar para Doumbia. O holandês começou por colocar um meio-campo com Gudelj, Bruno Fernandes e Wendel, substituindo o sérvio por Doumbia nesta temporada.

Apesar de mais recuado, o capitão procura quase sempre a definição do lance e executar o último passe para os avançados. Já Wendel, que foi contratado por Jesus, mas teve poucos minutos com o treinador português, forma agora uma espécie de duplo pivot com Doumbia.

Frente ao Portimonense, Bruno Fernandes e Vietto ocuparam maioritariamente os espaços entre a linha média e a linha defensiva, contando com um avançado de apoio (Luiz Phellype) ou Wendel, vindo de trás, deixando o corredor esquerdo para a subida de Acuña e o corredor direito para Raphinha. Na frente, Keizer dividia-se até aqui entre Bas Dost (mais estático) e Luiz Phellype (mais móvel), mas o novo ataque é composto por com Raphinha, Luiz Phellype e Vietto, como se viu em Portimão (vitória por 3-1).

Menos jogadores portugueses e menos da Academia

Jesus tinha à sua disposição alguns internacionais portugueses formados em Alvalade. Patrício, João Mário, Adrien, William e Gelson Martins foram alguns dos que o ajudaram a lutar pelo título nas duas primeiras épocas de leão ao peito. Havia ainda as promessas Iuri Medeiros, Podence, Palhinha e Geraldes, num plantel com uma média de 15 portugueses.

Depois de pegar no Sporting em segundo lugar no campeonato e a jogar com 5/6 portugueses sob as ordens de Peseiro, primeiro, e Tiago Fernandes, depois, o holandês Marcel Keizer ganhou reforços em janeiro e foi diminuindo a utilização da prata da casa. Jovane e Miguel Luís ainda foram opção em vários jogos, mas foram perdendo espaço. O plantel de Keizer tem neste ano oito portugueses, mas só um deles (Bruno Fernandes) é titular indiscutível.

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