Premium "Se a salvação do futebol português são cortes nos salários dos jogadores, estamos disponíveis"

Numa altura crítica também para o futebol português, devido à pandemia do novo coronavírus, o presidente do Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista, aborda em entrevista ao DN alguns temas na ordem do dia, como a redução dos salários e o regresso cada vez mais difícil às competições.

Estamos a assistir a cortes salariais nos salários dos futebolistas em várias ligas europeias. Em Portugal já algum jogador reportou uma situação dessas?
Não. Nem faz qualquer sentido tomar decisões isoladas. Eu estou a acompanhar o panorama internacional porque sou membro da board da FIFPRO, que representa os jogadores em todo o mundo e que está em contacto com a FIFA, a UEFA, as Ligas Europeias e a ECA. Em Portugal foi criado um grupo de trabalho mais alargado para definir uma estratégia nacional. O Fernando Gomes juntou a Federação, a Liga, o Sindicato dos Jogadores, os treinadores e os árbitros para tratar de questões laborais. Dito isto, nem a nível internacional nem a nível nacional há uma posição concertada. Há vários cenários, medidas propostas, mas de forma isolada. São medidas avulsas e têm que ver com a especificidade de cada país.

Mas já houve incumprimentos salariais por parte de alguns clubes?
Em Portugal, como nos outros países onde foi decretado o estado de emergência, as normas que daí decorrem sobrepõem-se às leis normais. Há um diploma que prevê medidas excecionais para o lay-off em situação de crise e que podem e devem ser usadas pelos clubes. A verdade é que os clubes neste momento não preenchem esses requisitos porque o impacto do vírus ainda não afetou as competições do ponto de vista estrutural, nem pôs em causa o cumprimento das obrigações. Em Portugal, os casos de incumprimento conhecidos são o do Desportivo das Aves e do Boavista, que chumbaram no controlo de 15 de março e foram interpelados pela Liga para regularizarem a situação, mas que não têm nada que ver com a pandemia. No caso do Boavista, tem que ver com um problema histórico, e no do Desp. Aves é um problema de má gestão. A justificação que o Desportivo das Aves deu ao associar o incumprimento de salários ao covid-19 é um ato criminoso. Não é aceitável. É de alguém que se está a aproveitar da situação de emergência para benefício próprio. O clube podia e devia cumprir com as suas obrigações.

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