Premium Violência doméstica. Boom de casos pode surgir depois do desconfinamento

Agressores deixam de ter vítimas debaixo de olho com o regresso ao trabalho e a violência vem atrás. Maioria das mulheres que entraram nas casas de abrigo durante este período têm perfil diferente do habitual. Como Fernanda que, durante mais de 30 anos, sofreu violência psicológica.

O regresso à normalidade poderá trazer uma subida exponencial das queixas de violência doméstica. É isso que esperam os especialistas e o governo, tanto mais que os números que durante o estado de emergência se mantiveram estáveis foram registando aumentos ligeiros à medida que o desconfinamento avançou.

"O boom de denúncias deve surgir depois de 1 de junho, na terceira fase do desconfinamento, quando a maioria das pessoas vai voltar para a rua, para os seus trabalhos", diz Daniel Cotrim, psicólogo e responsável pela área de violência doméstica e de género da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

Que razões poderão levar a que isto aconteça? Daniel Cotrim explica: "O confinamento foi vivido para muitos agressores como uma lua-de-mel, com a ideia mágica, fantasiosa, de que a vítima está ali para eles sempre, que está controlada. Quando elas voltarem a sair, a trabalhar, deixará de ser assim."

Também a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade acrescenta outro argumento para o crescimento de casos: "Nos primeiros tempos do confinamento, a necessidade era sobreviver, organizar a vida em relação ao medo do covid. A partir do momento em que a preocupação de sobrevivência se desloca da saúde, há uma maior capacidade mental destas mulheres para retomarem o projeto de se libertarem da violência", diz Rosa Monteiro.

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