Premium Quase todas as câmaras insistem em usar herbicida perigoso

Junta dos Olivais, em Lisboa, tem estado a pulverizar as ervas daninhas com Roundup, o pesticida à base de glifosato mais conhecido. Nos EUA, antigo jardineiro com cancro terminal recebeu indemnização milionária da empresa que comercializa o produto.

No início desta semana, os moradores da freguesia dos Olivais, em Lisboa, começaram a ser alertados para a aplicação do herbicida Roundup Ultra Max e para que tivessem cuidado no contacto com a pele "nas 24 horas após a aplicação". O químico em causa é o glifosato, produto envolvido em polémicas e sobre o qual recaem suspeitas de ser nocivo à saúde de pessoas e animais e até de poder causar cancro. Em Portugal, a aplicação do glifosato não é proibida - a Comissão Europeia decidiu autorizar o herbicida até 2022 - e dos 308 municípios, apenas 16 já deixaram de o utilizar em zonas urbanas. Em Lisboa, só quatro freguesias não o usam.

O efeito tóxico do herbicida divide opiniões, mas em 2015 o glifosato foi classificado pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC), um órgão da Organização Mundial de Saúde, como "carcinogéneo provável para o ser humano" e o seu uso, em testes, provocou cancro em animais de laboratório. Em Portugal, é o herbicida mais usado e serve para matar ervas daninhas e infestantes.

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