Tom Hanks, Charlize Theron e Andy Samberg são os campeões do streaming

São os dias de glória do streaming e Missão Greyhound, com Tom Hanks, A Velha Guarda, com Charlize Theron e o hilariante Palm Springs, com Andy Samberg, batem recordes nas plataformas...

Missão Greyhound, na Apple TV+, A Velha Guarda, na Netflix e a comédia Palm Springs, na Hulu. O que é que estes títulos têm em comum? São filmes que no streaming estão a bater recordes, tudo isto num momento em que poucos cinemas fazem negócio no mundo inteiro. São pois os gigante do streaming que estão a lucrar com a situação da pandemia: tão simples quanto isso.

Greyhound, com Tom Hanks, fez com que muitos começassem a aderir à Apple TV+, que nesta altura até permite que haja sete dias grátis de experiência. Este filme de guerra à antiga é o primeiro "filme de cinema" que a Apple TV+ coloca no seu acervo. De recordar que esta obra produzida pela Sony estava pensada para estrear por estes dias nos cinemas. Hanks, que é protagonista e argumentista, já lamentou o sucedido. De facto, a estrela de Hollywood tem toda a razão: o filme de Aaron Schneider, cheio de batalhas navais, foi feito para ser visto numa escala de grande ecrã e narra acontecimentos verdadeiros em 1942 quando um comandante de um destroyer tem como objetivo passar 37 navios dos Aliados no Atlântico Norte perante ataques sucessivos de submarinos alemães.

Recriado com um orçamento espampanante, Missão Greyhound é uma batalha naval que no pequeno ecrã (seja de um plasma, de um computador ou de um smartphone) perde o seu eventual esplendor, notando-se ainda mais a dependência digital com efeitos visuais onde a água perde a textura e tudo acaba por se confundir com um jogo de playstation. Aaron Schneider fez um filme de guerra "à antiga" mas com truques modernaços que não escondem um vazio muito dos dias de hoje. Seja como for, o nome de Tom Hanks e o aparato de marketing estão a capitalizar toda a atenção nesta plataforma que no catálogo tem séries como The Morning Show, com Jennifer Anniston ou Defending Jacob, com o "Capitão América" Chris Evans.

Na Hulu, outro gigante do streaming, a comédia Palm Springs, êxito do Festival Sundance, foi a estreia nas longas-metragens. E que estreia! Só no primeiro fim de semana (arrancou a 10 deste mês) tornou-se na obra mais vista de sempre da Hulu. Segundo a Indiewire, esta companhia detida pelos estúdios Disney terá pago quase 17 milhões de euros para obter os direitos desta primeira obra de Max Barbakow, o valor recorde de um filme "indie" no festival criado por Robert Redford.

O filme passa-se num só dia que acontece em "loop" a três personagens. O cenário é este: uma bela manhã em Palm Springs nas vésperas de um casamento. Tal como em Groundhog Day - O Feitiço do Tempo, de Harold Ramis, a lógica de tudo se passar num mesmo evento durante 24 horas é levada ao extremo. Palm Springs cruza o dispositivo dos casamentos onde tudo corre mal e um comentário venenoso à falta de romantismo de uma geração de trintões americanos. Filmado com um sentido estético gracioso e marcado pelo carisma suava do comediante Andy Samberg, acaba por ser uma refrescante homenagem ao próprio clássico Groundhog Day. Na verdade, Barbakow exibe aptidões de narração capazes de dar muitas voltas ao estafado esquema da comédia romântica. O primeiro "original" Hulu é o jackpot na altura certa.

Mas também a Netflix tem um "blockbuster" com números francamente ferozes neste mês, é o medíocre A Velha Guarda, de Gina Prince-Bythewood. Mal chegou ao catálogo já é um dos filmes mais vistos de sempre. No Twitter da Netflix chegou-se mesmo a ler que The Old Gard será visto por cerca de 72 milhões de pessoas até ao final do mês em todo o mundo. Charlize Theron terá encontrado um novo "franchise" já que é previsível pelo menos uma sequela...

A Velha Guarda é a história de um grupo de guerreiros imortais que tenta restabelecer a ordem na Terra. Baseado na BD de Greg Rucka, é um filme com os vícios dos piores filmes de super-heróis e sem lidar bem com a ambição da própria intriga. É um dó de alma ver atores como Matthias Schoenarts e Luca Marinelli perdidos em coreografias de ação feitas apenas para empolgar crianças de 12 anos... Ainda assim, este universo da imortalidade, parece ser bastante popular a nível global. Custa a crer que depois do já longínquo Duelo Imortal (1986), de Russell Mulcahy, nenhum outro estúdio de Hollywood tenha aproveitado o filão dos heróis incapazes de morrer. A Netflix não brinca em serviço e aqui tem os alvos demográficos todos bem apontados - não faltam personagens LGBT, europeias, negras e árabes...

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