Premium Do Império do Mali à Primavera Maliana

Independente em 1960, o Mali sempre deu "água pela barba" aos franceses, sobretudo pela questão tuaregue, no norte, vulgo Azawad para os independentistas. E o comportamento francês foi praticamente o mesmo na década de 1950 e em 2011 com os tuaregues, usando o engodo da possibilidade de secessão do norte face ao poder central de Bamako.

​​​​​​​​​​​​​​O Império do Mali foi certamente o maior portento em África na Idade Média, tendo como referência principal Mansa Musa, considerado o homem mais rico de todos os tempos, com uma fortuna calculada em mais de 400 mil milhões de dólares americanos. Territorialmente, o Império do Rei/(Mansa) Musa Keita I, estendia-se dos atuais Mauritânia/Senegal ao Níger, embora existam documentos que o estiquem até ao Chade/Nigéria, por via da famosa Peregrinação a Meca de Mansa Musa em 1324. Esta demonstração de poder, que colocou o Mali, Império e nome no mapa, incluiu 60 mil súbditos, nos quais se incluíam 12 mil escravos, com toda a comitiva vestida de brocado e seda da Pérsia. Os registos dizem que a mesma demorava dois meses a passar, ao longo do percurso de 6400 km, de Niani a Meca. Quando parou no Cairo, envergonhou o Sultão Al-Nasir com 80 camelos carregados com 136 kg de ouro cada. A distribuição do metal em jeito de caridade foi tal ao longo do percurso, sobretudo no Cairo e em Meca, que o ouro desvalorizou de tal forma, que só 15 anos depois voltou aos valores anteriores a esta Peregrinação épica.

Esta é a África Ocidental e Saheliana pré-colonial, da qual restam apenas vestígios arquitetónicos como a Grande Mesquita de Tombuktu e a de Gao, mandadas construir pessoalmente por Mansa Musa, com tijolos cozidos, uma novidade para a época. É a partir daqui, cerca de 1327, que Tombuktu se torna no entreposto comercial e cultural que aprendemos na Escola.

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