Premium Ano de apreensões recorde. Cocaína chega em veleiros e é cada vez mais

Em meio ano foram apreendidas 20 mil toneladas de droga que tinham como destino a Europa, mais do que em todo o ano de 2018. Os especialistas dizem que há "um tsunami de cocaína" a cruzar o oceano - e chegam em veleiros. Lisboa coordena o combate.

Duas da manhã e o barco de pesca Wood balança no meio do oceano Atlântico, ao largo de Cabo Verde e a 4000 quilómetros de Lisboa. Quando duas lanchas com fuzileiros se aproximam da embarcação, os sete tripulantes a bordo - pescadores pobres de Fortaleza, Brasil - não oferecem resistência. Escondida num compartimento de difícil acesso estava uma tonelada de cocaína com destino à Europa.

Os investigadores acreditam que os homens se preparavam para fazer o transbordo para outro barco no meio do oceano. A Operação Areia Branca aconteceu em maio deste ano e foi coordenada pela Polícia Judiciária, mas teria sido impossível de concretizar sem o apoio da Marinha e da Força Aérea portuguesas, ou sem as informações recolhidas em vários países pelo Maritime Analysis and Operations Centre Narcotics (MAOC -N), uma plataforma que coordena todas as operações que travam o tráfico de droga no Atlântico e que tem sede em Lisboa. A capital portuguesa é descrita pela imprensa internacional como a torre de vigia do imenso mar usado pelos narcotraficantes e a agência é quase tão secreta como as operações que coordena.

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De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

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Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.