A pouco mais de um mês de entrar em vigor o passe único na Área Metropolitana de Lisboa, ainda não está confirmada a inclusão da Fertagus no sistema que promete ser a maior mudança no âmbito da mobilidade no país. A empresa, que explora a ligação ferroviária entre as duas margens do Tejo pela Ponte 25 de Abril, é responsável pelo transporte diário de 70 mil pessoas. Talvez por isso, ao DN, fonte do governo salientou que o objetivo "é incluir a Fertagus, mas vai depender das negociações que estão a decorrer. Mas, para já, não é certo". .O dia 1 de abril marca o início de uma alteração de tarifário nos transportes públicos que vai fazer que nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto passem a existir apenas dois tipos de passe com um valor máximo de 40 euros. No caso da capital, quem utilizar apenas os transportes em Lisboa pagará 30 euros e quem vier de fora da cidade terá um encargo de 40 euros. Em qualquer dos casos vai ser possível utilizar todas as ligações disponíveis na rede - que inclui 18 municípios independentemente da empresa a que está concessionada essa linha - abrangida pelo passe..Para já há uma transportadora que ainda não confirmou a presença nesta rede. A Fertagus está a renegociar o contrato de concessão da exploração da linha entre Setúbal e Roma-Areeiro (Lisboa) que termina neste ano e ainda não ficou preto no branco que irá integrar o sistema. Apesar de as fontes contactadas pelo DN garantirem que dificilmente a firma do Grupo Barraqueiro ficará fora desta mudança radical no que diz respeito aos títulos de transportes..Contactada pelo DN, fonte oficial da empresa recusou pronunciar-se sobre o assunto alegando que "a Fertagus está a trabalhar com as entidades competentes" sobre o acordo quanto às compensações que a empresa receberá pela gestão da ligação. Ou seja, as negociações para a renovação do contrato de concessão - que tem sido contestado pelo PCP, que apresentou um projeto de resolução na Assembleia da República em julho do ano passado a pedir a entrega desta exploração à CP, pela comissão de utentes e pela Câmara Municipal do Seixal - estão em curso e por isso não haverá declarações. A Câmara Municipal de Almada reafirma, em resposta ao DN, que considera "importante que todos os operadores sejam abrangidos por este sistema de passe único"..Quem não acredita que a transportadora possa estar fora do sistema a 1 de abril - na realidade todo este sistema tem de estar operacional já a partir de março quando as pessoas começarem a renovar os passes para abril - é a Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul.."As operadoras vão ficar sob a alçada da Área Metropolitana de Lisboa [que tem atualmente a gestão dos transportes e que está a organizar todo este sistema], para a qual foram transferidas competências neste âmbito. Como se podia fazer uma gestão integrada de transportes sem todos os operadores?", questiona António Freitas. Para este representante da Comissão de Utentes, "a mobilidade só será efetiva se independentemente do transporte que se usar exista apenas um título. Não consigo perceber como funcionará fora deste sistema" e por isso a renegociação do contrato de concessão não pode interferir na presença do comboio da ponte no passe único. "Se assim fosse voltávamos ao que existe agora", alerta, lembrando que a não integração no sistema iria "defraudar pessoas que pagam 120 euros de passe e que esperam passar a pagar 40"..Certo é, para António Freitas, que a ligação ferroviária entre Setúbal e Lisboa "está saturada nos momentos de pico, seja de manhã, seja de tarde", apesar disso defende que o serviço deveria ser prolongado na capital da estação Roma-Areeiro para o Parque das Nações..A redução do preço dos passes - e o seu número, pois na área metropolitana existem atualmente mais de duas mil combinações diferentes - está inserida no PART - Programa de Apoio à Redução Tarifária, em que o Estado, através do Fundo Ambiental, financia a redução do custo dos passes intermodais nas áreas metropolitanas e nas comunidades intermunicipais (neste caso 21)..Esta mudança vai abranger as empresas de transportes públicos de autocarros, comboios, barcos e metro e por decisão das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto haverá ainda passes gratuitos para menores de 12 anos; as famílias que comprarem vários passes não vão pagar mais do que 80 euros. Em paralelo, vão manter-se os passes sociais com descontos entre 25% e 60% para estudantes, reformados e carenciados.