"As pessoas diziam-me 'o quê cantas fado, mas isso não é para velhos?'"

Sara Correia lançou aos 25 anos o seu primeiro disco de fado, a que deu o seu nome porque não podia chamar-se de outra forma. Mas é fadista desde os 9, quando bateu à porta de uma escola de fados em Chelas.

Amanhã a fadista Sara Correia sobe ao palco do Capitólio. Antes disso, juntou-se a outros grandes nomes para homenagear a fadista que para si é "dona Amália" ( Amar Amália aconteceu no dia 16 de fevereiro). A entrevista que antecipa este primeiro grande concerto em nome próprio aconteceu ainda em dezembro, antes de a fadista cantar na Praça do Município na festa de Natal do Diário de Notícias. Jovem e com grande paixão pelo fado, só colocou uma condição: que nos tratássemos por tu.

Como é que o fado surge na tua vida?
Vou aos fados desde os 3 anos, sempre fui dos fados. Não me lembro de qual foi a primeira vez, portanto isto já está em mim.

Por causa da tua tia?
A minha tia [Joana Correia] já cantava e a única imagem que tenho na minha cabeça de me lembrar dos fados foi em 1997. Tinha 3 anos e lembro-me de ir ver a minha tia ao Coliseu de Lisboa e ela ter ganhado. Depois começo a cantar, mais tarde, com 8/9 anos comecei a ir às casas de fado.

Mas nessa altura descobriste que tinhas voz para o fado ou cantavas mesmo sem essa consciência?
Não havia essa ideia de ter voz para o fado. O fado não tem uma voz, tem várias, porque nós cantamos emoção, cantamos sentimento, qualquer pessoa pode cantar desde que tenha o mínimo de consciência do que está a fazer. Mas foi inconsciente, juro que foi. Lembro-me de ser menina e começar a passar as letras da minha tia para um caderno e cantar por cima dela, tentar fazer o que ela fazia. Foi uma coisa natural. Costumo dizer que não tenho muita história para contar porque foi tudo natural. Até que com 9 anos decido ir a uma escola de fado em Chelas, onde moro. Cheguei lá a uma segunda-feira e perguntei se podia cantar uns fadinhos e as pessoas ficaram a olhar para mim e a perguntar "vens de onde?", e eu "sou daqui, venho daqui de trás e sabia que havia aqui uma escola e gostava muito de cantar". E então abriram-me as portas e comecei a ir a esta escola de fado - ninguém ensina a cantar fado, mas ajudam a saber dividir letras e o que é que era apropriado para eu cantar com a idade que tinha. Cantava O Namorico da Rita, coisinhas assim para meninas, não podia cantar já o Até Que a Voz Me Doa, com 9 anos. É preciso ter esse cuidado nos fados, e então foi isso que a escola me deu. O caminho e a base para continuar a fazer aquilo de que gosto.

E que canção sonhavas cantar e agora já podes e que canção ainda sonhas um dia ter maturidade para poder cantar?
Não tem que ver com o facto de não conseguir cantar, tem que ver com a experiência de vida. Acho que ainda não é o momento. Por exemplo, fui convidada para fazer uma série francesa em que tinha que cantar O Grito, da dona Amália. Estamos a falar de um fado que fala "vem morte que tanto tardas" e eu tinha 17 anos. Fiz, com todo o gosto, e foi incrível a experiência, mas jamais cantaria isto num concerto meu. Não vivi isso e não estou à espera de que a morte venha já. Acho que quando cantamos alguma coisa tem de ter uma história nossa e tem de fazer parte de nós para o podermos cantar. E há letras como O Grito que têm o seu tempo, quando tiver uns 50, 60 anos quem sabe. Não falo de idade, falo de experiência de vida e do que se viveu para se poder cantar. Daí estar a falar há pouco que quando somos mais novas temos de ter esse cuidado. Lembro-me de querer cantar a Maria Madalena que é o Fado das Horas - "quem por amor se perdeu" [diz em voz cantada] - e há um senhor, que entretanto já não está connosco, que era o Manuel Coelho, que tocava, que me dizia "nem penses, não vais cantar isto com 10 anos". E eu dizia "mas eu estou a contar uma história, que é a história de alguém, não é minha" e ele dizia "não interessa, não tens idade para cantar isto". Tudo tem o seu tempo. Sempre fui muito acarinhada nesse sentido e tenho uma forma de estar assim um bocadinho diferente para os meus 25 anos pelo facto de crescido mais depressa, porque sempre me dei com pessoas mais velhas. Hoje está muita gente jovem à procura dos fados, lembro-me de começar a cantar e haver pessoas a dizer "o quê, cantas fado, mas isso não é para velhos?". Hoje vê-se que não é assim. Há outra forma de se cantar o fado, eu apaixonei-me por aquele antigo. Isto tudo para dizer que neste disco [o seu disco de estreia Sara Correia] gravei coisas que sempre quis gravar. Alguns temas como Zé Maria, da dona Lucília do Carmo, que foi gravado em 1962. E depois há temas que um dia mais tarde, quando achar que estou preparada para isso e que vivi o suficiente, vou gravar.

Quando cantamos alguma coisa tem de ter uma história nossa e tem de fazer parte de nós para o podermos cantar.

O fado é isso. Não ter só originais, mas ir buscar a história?
Sim. Há imensos fadistas, músicos, poetas que as pessoas não têm a noção, que nos deixaram coisas lindíssimas, incríveis. Faço esta pesquisa indo buscar vinis, tudo o que é antigo, coisas que ninguém tem noção de que existem. Os primeiros discos da dona Beatriz da Conceição, da dona Deolinda Maria. Há muita coisa que as pessoas não têm a noção, que está gravado e que não foi tão badalado e conhecido, como A Gaivota e muitos fados conhecidos. Desde que comecei a cantar até ao fim dos meus dias, vou fazer sempre essa pesquisa e tentar ir buscar sempre coisas que estão lá atrás e são sempre lindas de morrer, mas que a maior parte nunca ouviu e é incrível ir buscar a história e continuar a história.

Quando decidiste que ias ser fadista a tempo inteiro?
Era muito rebelde e lembro-me de que quando comecei a cantar ainda estudava e a minha mãe muitas vezes queria molhar a sopa porque eu chegava a casa muito tarde dos fados. Imagina, começava-se às sete da noite a acabava-se às cinco, seis da manhã. Era fados a noite inteira. Houve uma altura que a minha mãe já não estava a achar muita piada, só que eu estava mesmo fascinada, queria era estar ali com os mais velhos e aprender. Até que houve ali uma altura que andei balançada com o que queria fazer. Mas a escola é muito importante até mesmo para se cantar e ter-se noção daquilo que se está a ler, é bom que a gente tenha escola. Mas o fado - não digo que a culpa seja dele, mas comecei mesmo a trabalhar a tempo inteiro e então isso também não me ajudava muito na escola, porque quase não dormia e, portanto, ia para a escola a dormir. Até que comecei a crescer um bocadinho e quando ganhei a Grande Noite do Fado com 13 anos disse, "quero isto para a minha vida e para querer isto tenho de estudar e tenho de continuar a escola e tenho de conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo". Eram outros tempos, não sei explicar. Venho de um fado que é o antigo. Não havia o sonho de "ah eu quero ser isto", não havia. Canto porque gosto de cantar. Canto porque gosto de música. Não canto para ser conhecida. A única coisa que quero deixar para as pessoas é música, a voz e o fado. Não tenho mais nada para oferecer. Não houve esse sonho de ser uma pessoa conhecida, queria ser era uma fadista como as antigas.

Era fados a noite inteira. Houve uma altura que a minha mãe já não estava a achar muita piada, só que eu estava mesmo fascinada, queria era estar ali com os mais velhos e aprender.

Achas que as novas vozes do fado querem mais do que apenas cantar?
Não. É um complemento. E ainda bem que existe, porque o fado está a chegar a pontos que muito dificilmente chegaria se não fosse uma Ana Moura, uma Mariza, uma dona Amália. Precisamos de todos os artistas e estamos a falar de pessoas que começaram em casa de fado também. A Ana Moura e a Mariza começaram no Senhor Vinho e ainda bem que há esta roupagem nova porque também me sinto dessa roupagem. Tenho 25 anos e havia sempre um medo de "não vamos fazer isto porque isto foi criado assim". Tem de haver respeito pela música que já está feita, claro que sim, mas também acho que tem de haver uma lufada de ar fresco, outra forma de se ouvir o fado, outra forma de se cantar, outras letras, até mesmo para chamar esta geração nova que está a aparecer agora.

Mas para ti há uma diferença. Falas na dona Amália e na Mariza...
Não é haver uma diferença. Não gosto de fazer comparações, odeio quando fazem comigo, quanto mais com os outros.

Mas quando te referes às fadistas mais antigas fazes questão de dizer dona.
Sim, mas as fadistas mais antigas são antigas para mim e para a Mariza e para a Ana [Moura]. São onde fomos todas beber o que é o verdadeiro fado. Digo-te uma coisa, gosto muito de ouvir homens a cantar, há quem só goste de ouvir mulheres. Gosto de timbres fortes. É inacreditável aquilo que se fazia antigamente, não há uma fadista que seja igual ou que faça uma imitação, são todas exemplos de serem genuínas - é o caso da Ana, da Mariza, da Carminho, da Raquel Tavares. São todas diferentes e todas estão a fazer aquilo que as antigas fizeram que é deixar uma marca diferente. É necessário haver aqui outra abordagem, respeitando sempre o fado tradicional. Costumo dizer que não estamos aqui a inventar nada, já foi inventado por estas fadistas todas, elas já cantavam o folclore, em francês, em espanhol. Portanto, estamos a dar continuidade àquilo que nos deixaram que é tão bonito e este património tão bonito. O meu grande objetivo é chegar à minha geração para que ouçam fado como ouvem outro tipo de música. Gostava muito.

Estamos a dar continuidade àquilo que nos deixaram que é tão bonito e este património tão bonito.

Identificas-te como a voz do fado tradicional na nova geração?
O fado tradicional é a minha base, é aquilo para que eu nasci. Isso eu sinto. Imagina, estou a cantar outro tipo de música, por exemplo Frank Sinatra, e vai puxar o timbre de fado quer eu queira quer não, porque o fado está em mim. E fica quase parecido porque o jazz também é uma música do povo. O fado é uma música do povo e não digo que seja só português, é português, mas é do mundo. Temos é de fazer exatamente o que estas fadistas de agora estão a fazer que é o trabalho de mostrar que é possível fazer música boa, sendo fado na mesma. E esse é o mais difícil: fazer bem e correto.

O fado é a verdadeira expressão da língua portuguesa?
Claro que sim. O fado é a nossa música, o fado nasce numa altura - daí ser como as pessoas dizem uma música muito triste -, em que os marinheiros partiam e as mulheres ficavam aqui a chorar pelo marido que não voltava - como o fado português que gravei no meu disco conta isso, "o fado nasceu um dia/ quando o vento mal bulia/ e o céu o mar prolongava/ na amurada de um veleiro/ no peito de um marinheiro/ que, estando triste, cantava". O fado é do povo triste e é muito difícil explicar de onde é que ele vem. É uma coisa que se sente, não se explica, não dá para descrever, é emoção. Se estiver triste e for cantar nesse dia, é outra história, sai com outro peso na palavra.

Gostas mais desse peso?
Gosto. Tenho essa forma de estar e de viver que é o fado. Sou um bocado dramática. Ou estou muito feliz ou muito triste. E é exatamente como o fado é: ou 8 ou 80.

Como está a correr o primeiro disco?
Tive três anos para preparar este disco com o Diogo Clemente. Foi uma longa viagem de trabalho, pesquisa e a cantar. Com concertos no meio e a pensar que queria fazer este disco e que estava preparada para o fazer e que sentia que estava com a maturidade certa para o fazer. Encaro este disco como uma marca no mundo, um disco em que me revejo, daí se chamar Sara Correia. As letras todas que canto são tudo quase autobiografias da minha vida, de amores que tive, ou desamores, então não quis dar outro tema ao disco que não fosse Sara Correia. Estou muito contente, sinto que há muita gente da minha idade que me procura e quer saber desde quando canto. As pessoas acham que comecei a cantar agora. E sinto que há aqui uma boa abordagem, em relação àquilo que queria que é chamar mais esta geração de adolescentes para cá e que fossem um bocadinho mais preocupados com aquilo que é nosso. E forçar um bocadinho mais essa praia.

Como é que te vês: mais dos concertos ou das casas de fado?
Vou ver-me eternamente como a fadista. Adoro cantar em casas de fado, é onde o fado acontece, várias vezes. Só que vejo-me em cima de um palco, não tenho medo de holofote nenhum. O que costumo dizer é que é o único sítio onde me sinto inteiramente feliz e fadista. Porque é o único sítio onde posso estar com a minha equipa, as pessoas que quis para estarem comigo: o Diogo Clemente, o Ângelo Freire, o Marino de Freitas, o Vicky Marques, são pessoas que tenho em grande estima, grandes músicos. Tive o grande privilégio de eles aceitarem fazer o disco comigo e estar com eles em palco. Fazer aquilo de que mais gosto e mostrar ao mundo é das coisas mais gratificantes que podemos fazer na vida. Sou muito abençoada, mesmo. Faço aquilo de que gosto, portanto só posso ser feliz.

Há o risco de te afastares das casas de fado?
Sempre que tiver oportunidade vou às casas de fado. Estou quatro vezes por mês numa casa de fado que é o Fado em Si, em Alfama. Estou a trabalhar naquela casa há nove anos, então não faz sentido, só porque faço palco, deixar as minhas raízes, nem quero mesmo, porque faz-me muita falta a casa de fado.

É aí que vais buscar inspiração?
Ora aí está, até mesmo com outros colegas. Vou buscar inspiração, a energia de que preciso quando estou mais em baixo.

Para um fadista, que ambiente é esse das casas de fado?
É mágico, porque no palco temos uma coisa que já está programada, já está escrito o que vamos cantar. Na casa de fado temos a magia de dizer "não canto o Fado Bagdad há dez anos, toca-me o Fado Bagdad em si". São coisas que podemos ir buscar ao baú, é um sítio mais intimista. É mais difícil cantar numa casa de fado do que num palco, porque as pessoas estão mais ali, connosco.

Pedem-vos músicas também...
Claro...

Mas se não vos apetece cantar essa música, como é que se contorna?
Às vezes as pessoas pedem o Foi Deus da dona Amália e eu digo "por acaso não faz parte do meu reportório" e não faz, mas proponho cantar outro fado da dona Amália. Tento sempre ir por este caminho, porque não é que não saiba as letras, mas não me identifico ou não faz parte do meu reportório. Mas normalmente aquilo que as pessoas pedem são as mais conhecidas. Nós já sabemos o que as pessoas vão pedir, é o Nem às Paredes Confesso, Amália, Rua do Capelão, as pessoas gostam é destes fados, os tais ícones do fado que ficaram sempre e que as pessoas conhecem. Às vezes ouvem-nos a cantar outros temas e ficam "uau" e as pessoas não sabem que também são músicas por exemplo da dona Amália Rodrigues. Acho que a casa de fado é o sítio onde nós verdadeiramente somos nós.

E quem são as tuas referências?
A dona Amália Rodrigues - digo dona Amália porque é um respeito muito grande e vou sempre falar destas senhoras desta forma -, mas tenho muitas referências. Gosto muito de ouvir homens fadistas. Desde Ricardo Ribeiro, que para mim é incrível, mas incrível, e depois dos antigos gosto muito de Fernando Maurício, Fernando Farinha, Carlos Zel, António Calvário, António Rocha, sei lá, tanta gente. Mulheres: Fernanda Maria, Deolinda Maria - nunca mais saio daqui -, Beatriz da Conceição, muita gente. Às vezes dou por mim a ter de ir ver quem é aquela fadista que está na minha playlist, porque são tantas de quem ninguém ouviu falar e que são referências minhas. O fadista tem isto que é podermos beber de muitos sítios, porque havia muita boa música antiga.

Teres começado tão nova também te permitiu trabalhares com algumas das tuas referências?
Sim, trabalhei com a dona Maria da Nazaré, a dona Celeste Rodrigues - de quem tenho muitas saudades e vou ter eternamente -, a dona Cidália Moreira, do Jorge Fernando, trabalhei com eles oito anos numa casa de fado e foi uma grande escola para mim. Foi o sítio onde me sentia todos os dias com aquela responsabilidade de "uau, o que estou aqui a fazer no meio de tanta fera" e o principal era saber ouvir. Eu saía da mesa onde estava para ir lá para dentro ouvi-los cantar todas as noites e isso é o mais importante: saber ouvir e beber o fado.

Saía da mesa onde estava para ir lá para dentro ouvi-los cantar todas as noites e isso é o mais importante: saber ouvir e beber o fado.

O que foi que eles te ensinaram?
Aquilo que se ensina como te disse não é a cantar - ou se tem ou não se tem, ponto - mas lembro-me de levar muito na cabeça porque tinha de saber dividir os poemas. É mais importante teres o peso da palavra e conseguires transmitir a letra do que o cantar. Gosto mais de ouvir pessoas que tenham o poder da palavra do que aquelas que cantam e isso para mim na altura era muito difícil porque eu não tinha aquela história toda para contar, aquela vivência toda, nem tantos anos de fados como estas pessoas com quem cantei. É ter uma letra à frente e estares com um artista destes e dizer "eu gostava de cantar esta letra neste fado" e essa fadista dizer-te assim: "Ok, há que ter aqui o cuidado da dicção, de fazer vírgulas nos temas, de passar uma história a alguém." O principal da música é exatamente isto. É conseguir estar a cantar para ti e transmitir-te a letra do início ao fim e tu ouvires do início ao fim sem piscares o olho. É isso que te prende.

Uma boa voz só distrai, é isso?
Pode ter-se isso tudo, mas o principal é passar a mensagem. É passar a história do que estás a cantar, isso sim. Daí estes artistas serem todos tão genuínos, porque todos eram diferentes e todos com um respeito e com uma sabedoria a cantar que dificilmente se vai ter hoje nos fados.

Vês-te a passar estes ensinamentos a novos fadistas nas casas de fado?
As coisas estão diferentes. O fado nunca vai mudar, o fado é o fado, por mais que exista nova roupagem. É difícil transmitir coisas a alguém que não viveu. Tem de se viver para se sentir, e o que tenho pena é que a maior parte dos fadistas de quem eu bebi já não estejam entre nós, essas são as histórias que a nova geração devia ter presentes.

Quero levar o fado ao mundo. Cantar em vários palcos e deixar sempre ali a plantinha que é o fado.

Sentes que os novos fadistas estão mais a começar pelos palcos do que pelas casas de fado?
É normal. Daí dizer que tem de haver este cuidado daquilo que se passa para as pessoas do que é o fado. É muito complicado estar a falar disto porque não se vai ver mais aquele fado, a não ser quando esta geração de agora envelhecer e ficar pelas casas de fado, quem sabe dê esta palavra aos outros e consiga passar o que se viveu lá atrás. Costumo dizer que um dos meus maiores sonhos era ter uma máquina do tempo para ir lá atrás beber o que se passava nas casas de fado. Gostava muito de ter ouvido ao vivo a dona Amália - quem é que não gostava - e não tive essa oportunidade. É muito importante quem queira fazer disto vida que se interesse por ir às casas de fado e que se preocupe em ir aos fados mais vezes. Eu vou aos fados todos os dias desde sempre. Essa é a escola: ir aos fados e ouvir toda a gente e beber de toda a gente um pouco.

Como vês a tua carreira daqui a dez anos?
Não faço planos. Vejo-me a fazer mais discos, quero gravar mais vezes, mostrar algumas coisas minhas que ainda não tive oportunidade de mostrar. Quero viver mais, porque tenho 25 anos, tenho muito para viver, muita coisa ainda para sentir e daqui a dez anos espero continuar a cantar para o grande público. Levar o fado ao mundo. Cantar em vários palcos e deixar sempre ali a plantinha que é o fado. Só me vejo a cantar o fado. Não quer dizer que não cante outras coisas. Às vezes ponho no Instagram outras coisas como o Rodrigo Amarante com a música do Narcos. Ouvi aquilo e fiz uma versão. Vou fazendo versões de música de que gosto.

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