Premium Mariama Camara: "Foi como se ela não me quisesse cortar, mas tinha de o fazer"

A designer Mariama Camara cresceu a olhar para mulheres fortes e com vidas duras na Guiné-Conacri, ela própria foi sujeita a mutilação genital aos 4 anos. Hoje, luta pelo fim desta prática e pela valorização da mulher, enquanto prossegue o seu sonho em Nova Iorque.

"Há muita gente que acredita que as crianças não se lembram das coisas. Eu lembro-me. Quando for mãe, a primeira coisa que vou fazer é garantir que o meu filho é protegido, porque os traumas de infância não se apagam." Mariama Camara, 36 anos, nasceu e cresceu na República da Guiné (conhecida como Guiné-Conacri), onde sofreu mutilação genital com apenas 4 anos.

Aos 12 anos foi estudar para o Senegal e aos 18 mudou-se para Nova Iorque, nos Estados Unidos, para concretizar o sonho de trabalhar no mundo da moda. Da infância, lembra-se especialmente das mulheres - da mãe, das duas irmãs, de vizinhas. "As mulheres não tinham voz, não podiam tomar decisões. Os maridos batiam-lhes e não havia muitas mulheres de negócios, como a minha mãe, mas recordo quão fortes eram", conta ao DN, durante uma visita de dois dias a Portugal para falar no TEDxLisboa.

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