Premium Professores em burnout. Sobem para quatro as mortes que a Fenprof quer ver investigadas

Mais de 75% dos professores encontram-se num estado de exaustão emocional, de acordo com um estudo que analisou 19 mil docentes. Mário Nogueira quer que sejam investigadas as quatro mortes recentes de professores em trabalho. Se estiverem relacionadas com burnout, o secretário-geral da Fenprof considera que o Estado deve ser responsabilizado.

A morte repentina de três professores enquanto trabalhavam nos últimos meses fez soar os alarmes na Federação Nacional dos Professores (Fenprof). Numa conferência que decorreu no Porto, Mário Nogueira, secretário-geral da organização sindical, revelou que vai pedir ao Ministério Público (MP) que investigue as causas das mortes e, logo após o anúncio, chegou à Fenprof mais um caso: uma professora da Escola Básica e Secundária de Fajões (Oliveira de Azeméis) morreu recentemente enquanto corrigia testes de avaliação.

"São pessoas que morrem a trabalhar. Perante tantos casos em tão pouco tempo, temos de perceber se é apenas coincidência ou se é mais do que isso", diz o dirigente ao DN, acrescentando que "provavelmente vão surgir mais" denúncias nos próximos dias. Para Mário Nogueira, é preciso "apurar os motivos das mortes", para determinar se podem estar relacionadas com "o desgaste, burnout, o facto de alguns colegas estarem a chegar ao limite".

Ler mais

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.