Futebol de formação. Um berbicacho a resolver

Clubes aguardam diretrizes para fazer regressar os miúdos aos treinos. Matrículas escolares são um problema. Regras para o regresso ainda não foram definidas.

A confusão e a incerteza ainda reinam no futebol de formação pós-pandemia. São quase 140 mil praticantes sem saber com o que contar. Há clubes que já regressaram aos treinos, como é o caso do Estoril, mas a maior parte, como é por exemplo Benfica, Sporting e FC Porto, ainda aguarda por indicações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para o regresso aos treinos. A competição, essa, pode voltar em setembro, mas tudo depende da evolução da pandemia.

A FPF ainda está a fechar esse dossiê com a DGS. Além de saber quando se pode voltar a jogar, falta definir em que condições será feito o regresso dos miúdos aos campos. Se é preciso fazer testes no início da atividade ou antes dos jogos. No fundo, saber se o protocolo do futebol sénior se aplica à formação. O DN contactou a autoridade de saúde pública, mas não obteve respostas.

A indefinição é ainda maior para os clubes que têm academias e jogadores residentes, uma vez que os quartos são partilhados e não há indicação sobre como proceder nesses casos. Mas há ainda um outro problema que está a preocupar os pais dos jovens atletas. Alguns deles, ouvidos pelo DN e que preferiram o anonimato, revelaram preocupação com a questão das matrículas, e os gabinetes de apoio escolar dos clubes também não têm informações para lhes dar. Matricular os alunos nas escolas da zona das academias pode significar que eles percam aulas se a competição não voltar antes do regresso às aulas. A alternativa seria matricular os jogadores nas escolas da área de residência e depois eles pedirem transferência quando voltarem às academias. Só os três grandes (Benfica, Sporting e FC Porto) têm quase 300 miúdos nesta situação.

O Estoril foi um dos primeiros a voltar. "Regressámos no dia 1 de agosto depois de o Conselho de Ministros permitir os treinos coletivos", justificou ao DN o presidente Alexandre Faria, lembrando que alguns escalões superiores até regressaram antes com treinos individuais e "sem partilhar a bola sequer". Agora voltaram "em força". Com equipas técnicas testadas, postos de álcool gel desde a entrada ao balneário e relvado e jogadores com temperatura medida à entrada, os canarinhos regressaram aos treinos, mesmo sem saber quando poderão voltar a competir. "Ainda não há indicação alguma por parte da federação, mas a nossa expectativa é podermos voltar a jogar a meados de setembro", confessou o líder do Estoril, justificando que os atletas precisam de recuperar a atividade física sem ser o treino online e em casa. Só as escolinhas ainda não voltaram aos treinos.

Mas nem todos olham para a regra da mesma forma e na ausência de uma diretiva da FPF, cada clube faz como entende. O FC Porto decidiu fazer regressar os sub-19 aos treinos nesta semana no Olival, depois de serem submetidos a testes covid-19. Já o Benfica aguarda "diretrizes concretas por parte das autoridades de saúde" para definir o regresso dos miúdos dos sub-19 para baixo. Para já estão apenas os sub-19 em treino, uma vez que ainda estão na Youth League (a Champions júnior) e já preparam o regresso à competição em regime de internato e cumprindo as mesmas regras que a DGS decretou para a I Liga.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG