Premium Por quem não esqueci. O centro de dia que se tornou apoio domiciliário para doentes de Alzheimer

Em poucas horas, a delegação centro da Alzheimer Portugal transformou o centro de dia num serviço de apoio domiciliário. Na linha da frente estão ajudantes técnicas, psicólogas, uma fisioterapeuta e um terapeuta ocupacional. Entre a equipa há dois medos: que o novo coronavírus os apanhe, e que os idosos não regressem.

Um canário dentro de uma gaiola canta sem parar. É o único som que se ouve na ampla sala do centro de dia da delegação centro da Alzheimer Portugal, em Pombal, onde ficaram vestígios do que era a vida por ali, antes da pandemia: cadeiras alinhadas, paredes decoradas com desenhos e artes manuais, um quadro com as fotografias dos 15 utentes. Ao fundo, numa mesa, a diretora técnica organiza os dias das equipas que andam na rua. "Nem sequer vou para o gabinete", começa por dizer ao DN Carla Mariza Pereira, enquanto uma das auxiliares vai separando batas, máscaras e luvas, que nos hão de permitir acompanhar o trabalho com um grupo de idosos particular: os que sofrem de demência, na sua maioria Alzheimer, e que frequentavam o centro de dia da instituição.

Naquela segunda semana de março, quando a direção decidiu fechar a porta do centro, abriu-se um novo capítulo na vida da associação. Carla Mariza Pereira viu a vida do centro que dirige virar do avesso em poucas horas. Ainda o país não estava em estado de emergência quando a direção decidiu fechar, acatando recomendações e enviando para casa os 15 idosos. "Em três horas tivemos de virar o serviço todo ao contrário", conta ao DN, explicando como foi necessário percorrer as casas de todos, perceber se tinham condições para receber banhos, alimentação, apoio diverso.

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