Exclusivo Pandemia trava especialização dos jovens médicos

Há milhares de jovens médicos que até ao final do mês vão fazer o exame cuja nota determinará o acesso à especialidade, num ano em que a esmagadora maioria ficou refém da covid-19. À exceção dos que querem dedicar-se à saúde pública, e tiveram a "sorte" de aprender com a pandemia aquilo que até agora só conheciam dos livros, aos restantes faltou contacto com a realidade de outras áreas. Neste ano há 1867 vagas para preencher, pelo que mais uma vez ficarão de fora quase tantos como no ano passado: 1100.

Quando Bruno João iniciou o estágio na urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta (Almada), em janeiro deste ano, o coronavírus ainda estava longe. Hesitante entre ginecologia/obstetrícia e pediatria, o jovem médico entrou em 2020 com o entusiasmo próprio de quem ia, pela primeira vez, pisar o terreno. Mas a realidade tinha outros planos para ele. Dois meses depois, declarada a pandemia, a covid-19 e o medo de se ser infetado afastaram dos hospitais a maioria dos utentes.

"Teoricamente só tive dois meses para contactar com essa área. A urgência começou a ficar vazia, e entretanto o hospital mandou-nos para casa, para ajudarmos nos rastreios e no acompanhamento, ao telefone, das pessoas infetadas, encaminhando-as depois para os médicos de família." Num apartamento arrendado em Lisboa, o médico natural de Pombal acabaria por fazer dali o seu "consultório". Até que em maio decidiu dedicar-se a estudar para o exame, agora marcado para 30 de novembro. Tem sido assim desde há quase seis meses, porque sabe que o tempo não para, mesmo quando a vida parece suspensa. Entretanto, o principal problema mantém-se: "Há pouco mais de 1800 vagas e mais uma vez muita gente vai ficar de fora."

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