Resultados frutíferos da cooperação económico-comercial e do investimento China-Portugal

Embaixador da República Popular da China em Portugal escreve sobre a relação entre os dois países.

Atualmente, as relações sino-portuguesas encontram-se na sua melhor fase histórica, com intercâmbio frequente de alto nível e confiança política mútua constantemente crescente. A excelência das relações bilaterais também é explicada pelo progresso abrangente das cooperações pragmáticas em diversos setores, ao abrigo de Uma Faixa e Uma Rota e de uma série de resultados importantes na cooperação económico-comercial e do investimento, em particular. Em dezembro passado, Sua Excelência o Presidente Xi Jinping efetuou uma visita de Estado histórica a Portugal, que foi um pleno sucesso e deu resultados frutíferos, promovendo a Parceria Estratégica Global China-Portugal a uma nova fase do desenvolvimento. Durante a visita, os dois países divulgaram a Declaração Conjunta e assinaram 17 acordos de cooperação, inclusive o Memorando de Entendimento sobre a Construção Conjunta de Uma Faixa e Uma Rota, assim como outros acordos sobre a cooperação nas áreas de economia e comércio, investimento, energia, finanças, mar, tecnologia, educação e cultura, entre outras. Nos dias 26 de abril a 1 de maio do ano corrente, Sua Excelência o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa participou na cimeira do segundo Fórum de Uma Faixa e Uma Rota para a Cooperação Internacional realizada em Pequim e efetuou uma visita de Estado à China. Foi concretizada assim a troca de visitas entre dois chefes de Estado em meio ano, o que provou fortemente a excelência das relações sino-portuguesas.

Desenvolvimento estável do comércio bilateral

As relações económico-comerciais sino-portuguesas remontam a longa data. Há mais de 500 anos, os comerciantes portugueses chegaram a Cantão, China, trocando marfim, prata, lã e sândalo por seda da China. Em 8 de fevereiro de 1979, a China e Portugal estabeleceram relações diplomáticas, inaugurando um novo capítulo nas relações entre os dois países. Desde então, o comércio bilateral vem tendo uma dimensão cada vez maior. O volume comercial cresceu dos 200 mil dólares no início das relações diplomáticas bilaterais para os 100 milhões de dólares em 1993. E o comércio de mercadorias entre os dois países atingiu os 6016 milhões de dólares em 2018, que foi um novo recorde histórico com um aumento homólogo de 7,27%. A China também se tornou o maior parceiro comercial de Portugal na Ásia.

Rápido crescimento da cooperação de investimento sino-portuguesa

Desde a entrada de ZTE e Huawei no mercado português em 2002, e particularmente desde 2012, quando as empresas chinesas como a China Three Gorges e a State Grid começaram a desenvolver cooperações com empresas portuguesas afetadas pela crise da dívida, uma série de empresas chinesas vieram investir em Portugal, o que viabilizou um rápido desenvolvimento da cooperação de investimento sino-portuguesa. Conforme uma estatística preliminar, até ao final de 2018, o investimento chinês em Portugal ultrapassou os nove mil milhões de euros, que envolve as áreas de energia, finanças, seguros, telecomunicação, obras hídricas, saúde, design e engenharia, arquitetura, aquicultura e restauração, entre outras. As empresas com capital chinês criaram 42 mil postos de emprego locais. A China ascendeu ao quinto lugar nos países que investem em Portugal, enquanto Portugal também se tornou um dos destinos principais de investimento chinês na Europa. Ao mesmo tempo, o investimento português na China regista um crescimento sustentável. A cooperação de investimento entre os dois países é marcada pela abertura, transparência, benefícios mútuos e ganhos compartilhados. As empresas chinesas em Portugal respeitam as leis e regulamentos, exercem a administração de acordo com a regulamentação, persistem na gestão localizada, dedicam-se à exploração do mercado português, assumem ativamente as responsabilidades sociais, exibiram uma boa imagem das empresas chinesas e obtiveram consideráveis benefícios económicos e sociais, tendo feito grandes contributos para o desenvolvimento económico, a melhoria de empregabilidade e a estabilidade social do local e tendo ganho um aplauso geral na sociedade portuguesa por serem consideradas parceiro de cooperação estratégica caracterizado pela sustentabilidade, credibilidade e de longo prazo para a parte portuguesa.

Até agora, o setor energético português, sendo o maior setor de cooperação em volume de investimento, recebeu 4,5 mil milhões de euros de investimento chinês. Além disso, a parte chinesa investiu 3,2 mil milhões de euros nas empresas financeiras portuguesas, formando gradualmente uma cooperação financeira sino-portuguesa abrangente. Em abril passado, o BCP, em cooperação com Unionpay Internacional da China, tornou-se a primeira instituição financeira europeia a emitir cartões de Unionpay. Em 30 de maio, Portugal emitiu dívida pública em Renminbi (panda bonds) , tornando-se o primeiro país da zona euro a fazê-lo. Em 31 de maio, a COFCO Internacional inaugurou o Centro de Serviços Partilhados em Matosinhos, vai criar 150 postos de emprego no primeiro ano após a abertura e terá cerca de 400 vagas de emprego nos próximos anos.

Com a atuação diligente de 16 anos no mercado local, a Huawei Portugal ganhou a admiração e a confiança dos consumidores portugueses. Em termos de telemóveis, a marca Huawei foi premiada como favorita dos consumidores portugueses nos dois anos consecutivos, também foi o maior vendedor do setor, com uma ocupação de 31% do mercado. Com o constante desenvolvimento saudável dos seus negócios, a Huawei Portugal tem recrutado cada vez mais funcionários, número dos quais já atingiu 150 e 90% são funcionários locais. Nos últimos três anos, o valor de aquisição da empresa no local ultrapassou os 200 milhões de dólares e pagou impostos num valor de 110 milhões de dólares, tendo feito contributos notáveis para o desenvolvimento económico, transformação industrial e a digitalização de Portugal. Durante a visita do Presidente Xi Jinping a Portugal em dezembro passado, os dirigentes dos dois países testemunharam em conjunto a assinatura do Memorando de Entendimento entre a Huawei e a Altice sobre a Cooperação Estratégica de 5G. Agora as duas partes estão a implementar os relevantes trabalhos de acordo com o timing da cooperação acordado.

Grandes êxitos obtidos nas cooperações trilaterais sino-portuguesas

As empresas chinesas são ativas nas cooperações trilaterais em parceria com empresas portuguesas, explorando em conjunto mercados da Europa, América Latina e África, sobretudo dos países de língua portuguesa. Nos últimos anos, a CTG trabalha com a EDP na exploração do mercado hidroelétrico do Brasil e mercado de eletricidade eólica do Reino Unido, da Polónia e de Itália, entre outros. A State Grid trabalha em conjunto com REN na exploração do mercado energético do Chile. A Fosun e a Fidelidade cooperam no mercado de seguros do Peru. Todas estas cooperações registam um bom andamento e obtêm resultados positivos, desempenhando um papel exemplar para a cooperação trilateral. Por exemplo, o consórcio constituído pelo grupo português Mota-Engil e a empresa China National Complete Engineering Corporation já tem participado em diversos projetos de infraestrutura nos países lusófonos africanos.

Amplas perspetivas para a cooperação económico-comercial sino-portuguesa

Sendo um ponto de encontro importante das rotas da seda terrestre e marítima, Portugal é um parceiro natural na construção conjunta de Uma Faixa e Uma Rota. Com as relações sino-portuguesas posicionadas num novo ponto de partida histórico, e sob a orientação estratégica e promoção pessoal dos dirigentes dos dois países, a cooperação pragmática sino-portuguesa ao abrigo de Uma Faixa e Uma Rota em amplos setores abraçará novas oportunidades valiosas e um vasto espaço do desenvolvimento. A parte chinesa está disposta a trabalhar em conjunto com a parte portuguesa, para combinar melhor a cooperação bilateral mutuamente benéfica e os respetivos programas de desenvolvimento de cada país, no sentido de promover a cooperação pragmática a lograr mais resultados significativos e beneficiar melhor os dois povos. Estamos convictos de que, com os esforços conjuntos da China e de Portugal, a cooperação económico-comercial e as relações entre os dois países terão um futuro muito mais promissor.

Embaixador da República Popular da China na República Portuguesa

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