1917, Tarantino e um ano de bons candidatos. As apostas dos críticos

Os críticos do DN assistiram ao anúncio das nomeações para a cerimónia dos Óscares a realizar já no início de fevereiro. Quais serão os candidatos que irão levar as estatuetas douradas segundo João Lopes, Inês N. Lourenço e Rui Pedro Tendinha?

A 92.ª cerimónia dos Óscares está em contagem decrescente. As nomeações anunciadas nesta segunda-feira serão escrutinadas a 9 de fevereiro num evento que volta a não ter apresentador.

Onde está o cinema da Marvel?

Por João Lopes

Não se pode dizer que Academia de Hollywood seja uma entidade unificada. Ainda bem, digo eu: todos a pensarem o mesmo seria uma insuportável monotonia. Apesar disso (ou precisamente por causa disso), vale a pena recordar que a extensão do número de nomeações possíveis para a categoria máxima (melhor filme, hélas!) parece continuar a ser encarada de forma contraditória ou, no mínimo, relutante. Assim, tal extensão, adotada na cerimónia de 2010, terá resultado do empenho da Academia em dar visibilidade aos filmes com maiores números nas bilheteiras, Marvel & etc.

Ninguém se preocupou em discutir se tais números resultavam das opções do próprio marketing... O certo é que a secundarização desses filmes (blockbusters, segundo a gíria do marketing, precisamente) não parece resultar do maior ou menor número de nomeações disponíveis. Neste ano, por exemplo: onde estão esses filmes nas categorias principais? Resposta: não estão. E desta vez, pelo menos, não será possível responsabilizar os "críticos" e os "intelectuais" por tal ausência - são os próprios profissionais da indústria que assim decidiram.

Entretanto, será interessante saber como se vai fazer a guerra (ou a paz) entre os candidatos dos grandes estúdios e as plataformas de streaming, com destaque inevitável para a Netflix... Dito de outro modo: quais são as hipóteses reais dos dois títulos - O Irlandês e Marriage Story - que a Netflix consegue colocar entre as nomeações para melhor filme?

Em boa verdade, acredito que alguém que corre por fora - 1917, de Sam Mendes - vai conseguir congregar o melhor de dois mundos: um grande épico universal e um objeto da linha da frente da tecnologia industrial. Daí que, obviamente carentes de grandes verdades científicas, possamos apostar assim:

Melhor filme: 1917

Melhor realizador: Sam Mendes (1917)

Melhor ator: Joaquin Phoenix (Joker)

Melhor atriz: Renée Zellweger (Judy)

Melhor argumento original: Quentin Tarantino (Era Uma Vez em... Hollywood)

Melhor argumento adaptado: Greta Gerwig (Mulherzinhas)

Em tudo isto ficará de fora aquele que me parece ser um dos grandes filmes da produção americana de 2019: O Caso de Richard Jewell, de Clint Eastwood. Mas ninguém é perfeito e não será por isso que vamos desistir de conhecer e acompanhar as emoções da cerimónia do dia 9 de fevereiro. Mesmo sem apresentador - péssima ideia (digo eu).

Seja feita justiça a Tarantino

Por Inês N. Lourenço

Depois do, sempre relativo, cenário de expectativas lançado pelos Globos de Ouro, não surpreende que Joker, 1917, Era Uma Vez em... Hollywood e O Irlandês (não premiado então) estejam no topo da contabilidade da lista das nomeações. A questão é saber se, por um lado, Joker vai surpreender conseguindo mais do que o reconhecimento quase certo, e muito justo, do seu protagonista, Joaquin Phoenix, e, por outro, a Academia se deixa de joguinhos com Quentin Tarantino, o grande merecedor da vitória em pelo menos uma das duas principais categorias - realização e melhor filme -, atestando de uma vez por todas o seu valor para lá da categoria de argumentista.

Já na lista de realizadores nomeados, a curiosidade é, definitivamente, a presença do coreano Bong Joon-ho, que estava mais do que lançado depois de ganhar o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. Por sua vez, a ausência ruidosa aqui parece ser o nome de Greta Gerwig, cujo filme, uma nova adaptação de Mulherzinhas (a estrear por cá no final do mês), está indicado na categoria principal - vale a pena lembrar que, quando o seu Lady Bird foi nomeado para melhor filme, Gerwig também figurava no painel de realizadores. Mais engraçado vai ser vê-la neste ano a competir com o marido, Noah Baumbach, e o seu Marriage Story, pela estatueta da noite.

Quanto ao favorito de última hora, o drama de guerra 1917 (estreia para a semana), tudo indica que pode reinar, apesar de esta proeza de Sam Mendes ser sobretudo técnica... Até custa pensar que isso se pode sobrepor ao que foi concebido pelo verdadeiros artesãos de Hollywood, Tarantino e Martin Scorsese, ambos na sua melhor forma. E por falar em Tarantino e Scorsese, também estará renhida a competição entre os atores secundários Brad Pitt (Era Uma Vez em... Hollywood) e Joe Pesci (O Irlandês), este último no seu espantoso regresso à grande tela.

Ainda na questão dos "regressos", uma palavra para Renée Zellweger, cuja composição de Judy Garland pode valer-lhe, e bem, o segundo Óscar, roubando a oportunidade da jovem muito talentosa Saoirse Ronan subir finalmente ao palco, à quarta nomeação.

Quanto a desilusões, assinala-se a ausência de Regina Pessoa e a sua belíssima curta-metragem de animação, Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias, da lista de nomeados...

Melhor filme

Quem vai ganhar: 1917

Quem deveria ganhar: Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor realizador

Quem vai ganhar: Sam Mendes

Quem deveria ganhar: Quentin Tarantino

Melhor ator

Quem vai ganhar: Joaquin Phoenix

Quem deveria ganhar: Joaquin Phoenix

Melhor atriz

Quem vai ganhar: Renée Zellweger

Quem deveria ganhar: Renée Zellweger

Melhor argumento original

Quem vai ganhar: Quentin Tarantino

Quem deveria ganhar: Quentin Tarantino

Melhor argumento adaptado

Quem vai ganhar: Greta Gerwig

Quem deveria ganhar: Greta Gerwig

O ano dos grandes candidatos!

Por Rui Pedro Tendinha

Num ano em que a discussão sobre se os produtos de entretenimento da Marvel são ou não cinema, parece-me que Martin Scorsese e a própria Marvel vão ser as próprias vítimas. O Irlandês, mesmo com todas estas nomeações, vai ficar de fora dos prémios principais e Avengers: Endgame, recordista de bilheteiras, limita-se a estar na corrida nos efeitos visuais (tolos foram os que lutaram para a campanha desse filme e de Robert Downey Jr. como ator secundário). O mais irónico é que um filme da DC, marca rival, esteja à frente das nomeações, neste caso Joker, que é tudo menos um filme de comic book.

Mas destes Óscares importa sublinhar a qualidade dos filmes nomeados. Uma lista de grandes filmes que sabe espelhar uma certa inquietação em tempos de inquietação. E neste ano era bom haver surpresas, os críticos e analistas não conseguirem prever o gosto da Academia, embora, depois do próximo fim de semana, seja mais do que provável que a partir do resultado dos SAG e da guilda dos produtores essa margem de surpresa possa ficar menor. Ainda assim, será sempre certamente a cerimónia das ausências, de Eddie Murphy aos realizadores desse genial Diamante Bruto, os Safdie, passando por Annette Bening ou Adam Sandler...

Melhor Filme:

Quem vai ganhar: 1917

Quem deveria ganhar: Parasitas

Melhor realizador

Quem vai ganhar: Bong Joon-ho

Quem deveria ganhar: Quentin Tarantino

Melhor ator

Quem vai ganhar: Joaquin Phoenix

Quem deveria ganhar: Adam Driver

Melhor atriz

Quem vai ganhar: Renée Zelwegger

Quem deveria ganhar: Charlize Theron

Melhor Argumento

Quem vai ganhar: Quentin Tarantino

Quem deveria ganhar: Quentin Tarantino

Melhor Argumento Adaptado:

Quem vai ganhar: Scott Silver (Joker)

Quem deveria ganhar: Taika Waititi (Jojo Rabbitt)

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