Quando Portugal participou na fundação da NATO em 1949, a Aliança Atlântica tinha apenas 12 membros, destinava-se essencialmente a contrariar eventuais ambições expansionistas da União Soviética na Europa Ocidental e a garantir que os Estados Unidos viriam em socorro dos parceiros em caso de ataque comunista. Passados 74 anos, e com a superpotência União Soviética substituída por uma Rússia substancialmente menos poderosa, a NATO vai nos 31 membros, e em breve, com a adesão da Suécia, terá 32..Os sucessivos alargamentos, com exceção da Espanha em 1982, foram na Europa Central e Oriental, nomeadamente quando o Muro de Berlim caiu, a União Soviética se desagregou e o Pacto de Varsóvia se desfez. E com a invasão russa da Ucrânia, Moscovo recuperou na íntegra o estatuto de principal ameaça à Aliança que já tivera na era soviética. Finlândia, recém-admitida, Repúblicas Bálticas e Polónia (agora menos) estiveram na primeira linha do apoio aos ucranianos, junto com os Estados Unidos e, de certo modo, o Reino Unido. Para uns, é a geografia a justificar o envolvimento, para outros é a perceção da Rússia como ameaça maior que interessa travar. Mas, óbvio, é que as prioridades estão no Flanco Oriental..Ora, Portugal, país Atlântico, está comprometido com a NATO na sua missão desde fevereiro de 2022 de ir em socorro dos ucranianos, embora sem envolvimento militar direto. Nem o Governo nem o povo português veem a Ucrânia como distante. Estudos de opinião internacionais mostram até o forte apoio nacional à América e aliados na guerra da Ucrânia. Mas o flanco prioritário para Portugal não é o Oriental, mas sim o Sul. E, na recente cimeira de Vilnius, na Lituânia, foi essa a mensagem passada pelo primeiro-ministro, António Costa, tendo sido o nosso país recompensado com a criação de um grupo de estudo que, na cimeira agendada para o 75.º aniversário, em Washington, verá debatidas as conclusões do seu trabalho..Para liderar esse grupo foi escolhida Ana Santos Pinto, uma académica que já foi secretária de Estado da Defesa e é investigadora no Instituto Português de Relações Internacionais, o IPRI/Nova. Com os acontecimentos recentes no Médio Oriente, no Norte de África e no Sahel, o Flanco Sul ganha uma importância acrescida e o facto de ser uma portuguesa a chefiar a equipa com representantes de mais dez países da NATO (Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Itália, Polónia, Reino Unido e Turquia) é um reconhecimento do papel relevante de Portugal como país-membro (ainda na quarta-feira, num evento em Lisboa na presença da embaixadora americana, o Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou o país como um aliado antigo e fiável). É também, sublinhe-se, um reconhecimento da competência de Ana Santos Pinto, que se tem distinguido nas áreas de investigação dos Estudos Europeus, Política Externa, de Segurança e Defesa da União Europeia, Geopolítica do Médio Oriente e Segurança Internacional..Diretor interino do Diário de Notícias