Nogueira recandidata-se e Fenprof entra na campanha das legislativas

Chumbo do tempo de serviço leva sindicatos a declarar guerra ao PS. Mário Nogueira, que equacionava deixar o cargo em junho, volta a candidatar-se na Fenprof para "liderar" a luta.

Se dúvidas houvesse de que a batalha do tempo de serviço dos professores terá novos capítulos, incluindo na campanha para as legislativas de 6 de outubro, estas ficaram desfeitas nesta sexta-feira ao início da tarde, à saída do plenário da Assembleia da República em que se confirmou o chumbo da devolução dos nove anos, quatro meses e dois dias (9A4M2D). Os sindicatos de professores prometem entrar em força na campanha, a favor do voto útil contra o PS de António Costa.

Questionado pelo DN, Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), confirmou isso mesmo: "Não [entrámos ainda], porque a campanha eleitoral para as legislativas vai ser só no mês de setembro. Mas iremos entrar."

Antes - numa declaração em que tinha poupado os partidos mais à esquerda, apesar de lamentar que estes não tenham aceitado viabilizar as ressalvas impostas por CDS e PSD -, Nogueira já apontara baterias ao PS. Defendendo a necessidade de uma futura "maioria" parlamentar favorável às pretensões dos professores, e revelando que estes serão mesmo desafiados a apresentar-se para votar, em outubro, com os famosos crachás 9A4M2D.

Nogueira defendeu ainda que "não vale a pena" os professores esperarem soluções do lado dos socialistas, considerando que estes são "um caso perdido" porque "há muitos anos" deixaram de defender os seus interesses. "Quem se lembra do que foi o mandato de José Sócrates, com Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação, quem se lembra também do que tem sido, a este nível, o tratamento a que os professores têm sido sujeitos (...) o que é que os professores têm para fazer e para dar ao PS?", questionou. "Tudo menos beijos", respondeu, assegurando ainda que o governo "poderá ter ganho esta batalha" mas irá "perder a guerra", porque os professores "não desistirão de lutar".

A votação parlamentar teve ainda o condão de acabar com as dúvidas em relação à continuidade de Nogueira à frente da Fenprof, que lidera desde 2007, com este a confirmar que será candidato no congresso da organização sindical, marcado para junho.

"Disponível para liderar a luta"

"O PS, o governo e António Costa ajudaram-me a tomar uma decisão", disse. "Irei ser secretário-geral da Fenprof, se o congresso assim o decidir, a 15 de junho, porque o governo, o PS e António Costa merecem que a luta continue e eu estou disponível para a liderar."

Uma luta que os professores prometem também manter acesa até às eleições e depois. Mas que poderá até não passar pela greve às avaliações prevista para o próximo mês, com início a 6 de junho.

Greve será "equacionada"

João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação, admitiu ao DN, à saída do Parlamento, que terá de se "equacionar" a manutenção do protesto, em face do "novo cenário" saído desta crise política, em que "todos os partidos, à exceção do PS", são favoráveis à devolução do tempo de serviço. No entanto, acrescentou que a contestação não deverá abrandar, prometendo "ações, todos os dias, que demonstrem que os professores não estão desmobilizados".

A dez organizações que integram a plataforma de sindicatos de professores vão reunir as suas direções nos próximos dias. Para a próxima quarta-feira, está previsto um encontro entre todas, seguindo-se, pelas 18.00, uma conferência de imprensa na qual serão anunciadas as próximas ações de luta.

Desilusão total

A avaliação pela notória desilusão dos cerca de 30 professores - muitos deles dirigentes sindicais - que acompanharam a votação no Parlamento, com ou sem greve dificilmente será concretizado o desejo, manifestado nesta sexta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, de que "a paz possa voltar à escola".

Se nas galerias de São Bento os docentes mal se manifestaram, com a exceção de alguns abanões de cabeça quando PS, CDS e PSD confirmaram o chumbo da proposta que tinha sido aprovada na comissão de Educação e Ciência, já no exterior da Assembleia da República foram muitos os que verbalizaram a revolta.

"Vergonha", "gatunos" e "mentirosos" foram alguns dos impropérios lançados pelos docentes, por entre palavras de ordem como "a luta continua", "o tempo é para contar, não é para apagar" e "nove anos, quatro meses e dois dias".

Nuno Magalhães, do CDS-PP, que deixou a Assembleia da República pela mesma porta lateral usada pelos docentes, acabou por pagar as "favas" do descontentamento, enfrentando uma forte vaia quando entrava no seu carro.

Já Pedro Filipe Soares e Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, fizeram questão de se dirigir aos docentes ali concentrados para os cumprimentarem, tendo sido recebidos com alguma frieza mas sem animosidade.

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