DGS não reporta casos covid importados de Espanha há dois meses

É preciso recuar até ao dia 8 de maio, no boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde, para encontrar uma alteração nos casos portugueses de covid-19 importados de Espanha​​​​. Em resposta ao DN, a entidade da saúde admite que "os dados não estão totalmente atualizados", embora não devam fugir muito da realidade, uma vez que o contágio importado tem agora um "impacto reduzido".

Tudo indica que o novo coronavírus terá chegado a Portugal via Itália. De uma feira de calçado em Milão e de umas férias de Carnaval em Veneza chegaram os primeiros portugueses infetados com covid. Mas, segundo o mais recente boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), a Itália - o primeiro epicentro da doença na Europa - é o sétimo país que deu origem a mais contágios em Portugal (29). A maioria dos casos de covid-19 com ligações ao estrangeiro estão relacionados com Espanha, França e Reino Unido. Mesmo assim, há dois meses que estes países não serão ponte de transmissão do vírus para os portugueses, de acordo com o relatório da situação da DGS.

O boletim deixou de reportar casos importados de Espanha, no entanto, a DGS admite, em resposta ao DN, que pode haver alguns casos nesta situação por notificar. "Considerando o impacto reduzido que os casos importados têm numa altura em que temos transmissão comunitária do vírus, os dados não estão totalmente atualizados", esclareceu a DGS.

O encerramento das fronteiras terá impedido que o contágio entre os países aumentasse. Espanha e Portugal restringiram o movimento entre os dois territórios, a 16 de março, com exceção dos trabalhadores transfronteiriços em locais escolhidos pelas autoridades, e desde 8 de maio que não há alteração nos casos portugueses importados de Espanha. Na véspera tinham sido confirmadas mais seis infeções.

Depois de três meses e meio fechadas, as fronteiras entre Portugal e Espanha reabriram no primeiro dia de julho com uma cerimónia, em Badajoz e em Elvas, que contou com a presença do rei Felipe VI de Espanha, do Presidente da República de Portugal e dos primeiros-ministros dos dois países; "um reencontro entre vizinhos que são irmãos e amigos" nas palavras de António Costa. Na semana que se seguiu e até esta terça-feira, o boletim continua sem registar nenhuma alteração em relação a Espanha.

1,7% dos casos portugueses são importados

No total, há agora 775 casos importados entre os 44 416 infetados portugueses confirmados pela DGS. Ou seja, 1,7% das notificações nacionais têm ligações internacionais. Espanha é o país na origem de mais casos de contágio em Portugal: 177. Segue-se a França (137), o Reino Unido (88), os Emirados Árabes Unidos (48), a Suíça (45), Andorra (32), o Brasil (30), Itália (29), os Estados Unidos (24), os Países Baixos (19), a Argentina (18), a Austrália (15) e a Alemanha (13).

Na lista da DGS constam 53 países, sendo que, na última semana, apenas uma destas nações revelou alguma alteração no número de contágios provocados em Portugal. O único país de onde foram importados casos - três no total - foi Angola, que conta agora com seis importações.

Apesar da maioria das fronteiras europeias já ter reaberto, após meses de isolamento, ainda há restrições em vários países, com Portugal a ser afetado. Os portugueses estão impedidos de entrar por determinação específica no Chipre, na Bulgária, na Áustria e na Lituânia. Na Eslováquia, há restrições gerais que incluem Portugal.

Esta terça-feira, no boletim diário, a DGS informou que em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais nove pessoas e foram confirmados mais 287 casos de covid-19 (um crescimento de 0,7% em relação ao dia anterior). Segundo o relatório, no total, desde que a pandemia começou registaram-se 44416 infetados, 29445 recuperados e​​​​ 1629 vítimas mortais no país.

Já em Espanha, foram registadas quatro mortes nas últimas 24 horas e 124 novos casos de covid-19. O Ministério da Saúde espanhol atualizou para 28 392 o número total de óbitos provocados pela pandemia e 252 130 infetados.

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