Premium Muita ficção e (boa) história portuguesa na rentrée literária

A investigação histórica vai ter na rentrée literária que agora começa uma mão-cheia de bons trabalhos. Quanto à ficção nacional, o que se anuncia parece rivalizar com essa produção e superior a anteriores semestres.

A eleição presidencial de 1958 foi o epicentro dos terramotos que as Forças Armadas e alguns dos seus militares sempre foram provocando no regime que Salazar criou e que ficou conhecido por Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado colocou o regime sob uma pressão nunca antes vista e que as outras tentativas militares jamais tinham ou iriam atingir. É o relato pormenorizado dessa campanha presidencial que ainda está na memória de alguns milhares de portugueses - em alguns como o momento da sua vida política ou cívica - que se demarca das novidades literárias que nesta semana começam a ser lançadas pelas editoras portuguesas a pensar na melhor época de vendas: a do Natal.

Uma Campanha Americana - Humberto Delgado e as Presidenciais de 1958 (Editora Tinta-da-China) é de autoria de Joana Reis, que refaz finalmente a cronologia desse périplo pelo país que levou à rua milhares - ou milhões - de portugueses em apoio ao General sem Medo, o candidato que em plena Volta a Portugal afirma que caso ganhasse as eleições Salazar seria um episódio do passado. Em duas palavras: "Obviamente, demito-o", Delgado expressou o que uma parte da população ansiava e esses e muitos outros encheram as praças de Portugal por onde Delgado passava num apoio e numa ovação pública que assustou o regime e rapidamente alterou a forma de eleger o Presidente da República.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.