Houve bolha no Porto. Movida a álcool, pancadaria e ilegalidade

O comportamento de grande parte dos adeptos ingleses na final da Liga dos Campeões cavou um sentimento de tratamento desigual em relação ao resto do país.

Sábado, 29 de maio

Tratamento de exceção

Se em campo se assistiu a uma lição de solidez defensiva e contra ataque do Chelsea, que manietou por completo o Manchester City, já fora do Dragão o que se viu foi lamentável. Aos adeptos ingleses que tinham bilhete para a final da Champions, juntaram-se muitos mais que, com as fronteiras abertas, viajaram para o Porto. A suposta bolha sanitária foi substituída por outra. Uma bolha onde foi possível ignorar as restrições a que os portugueses ainda estão sujeitos, movida a consumo de álcool na via pública, cenas de pancadaria, agressões a polícias e total desrespeito pelas regras sanitárias. Receber a final da mais importante competição de clubes do Mundo até podia ter sido positivo para a imagem de Portugal, mas transformou-se num perfeito exemplo de impreparação e cavou um sentimento de tratamento desigual em relação ao resto do país.

Domingo, 30 de maio

Incoerências que ficam por explicar

Da esquerda à direita, passando pela Presidência da República, não faltaram vozes a condenar e a exigir responsabilidades políticas face ao que se aconteceu no Porto. Como era de esperar, voltou a pedir-se a cabeça do ministro Eduardo Cabrita e até do próprio António Costa, como defendeu Pinto da Costa. O PM só reagiria no dia seguinte, dizendo o óbvio: "Manifestamente não correu tudo bem". Comerciantes do Porto, UEFA, PSP e DGS, cada um à sua maneira, acabaram por desvalorizar o que se passou. Ao mesmo tempo, não há arraiais nos Santos Populares e os pais que queiram ver os filhos jogar futebol só o conseguem fazer pendurados no muro do campo. Incoerências que ficaram por explicar. E que não ajudam a passar a mensagem de que o combate à pandemia ainda está em curso.

Segunda-feira, 31 de maio

Recuperar... mas mais devagarinho

Depois de um tombo gigante, é normal que os sinais de retoma económica comecem a aparecer. A OCDE melhorou bastante as projeções para Portugal, apontando agora a um crescimento do PIB_de 3,7% este ano e 4,9% no próximo (em dezembro apontava a 1,7% e 1,9%), o que ainda assim fica abaixo das estimativas do governo. No entanto, a velocidade com que a retoma se vai concretizar está longe de ser igual entre os países mais ricos e desenvolvidos. Portugal será mesmo o 3.º mais lento a regressar aos níveis pré-pandemia (só Espanha e Bélgica estão pior). Boa parte da explicação resulta de o país ter criado grande dependência das receitas do turismo, um setor que vai recuperar mais devagar que outros porque as restrições às viagens internacionais não vão desaparecer de um dia para o outro.

Terça-feira, 1 de junho

900 milhões para "recuperar" alunos

140 milhões para o reforço de recursos humanos, 43,5 para a formação dos professores e não docentes, 47,3 para o aumento dos recursos digitais e 670 para a modernização dos equipamentos e infraestruturas das escolas. São muitos milhões (900) anunciados pelo governo para o Plano de Recuperação de Aprendizagens, a investir nos próximos dois anos. O anúncio, contudo, foi recebido com desconfiança pela Fenprof e abriu mais uma ferida na já complicada relação entre PS e Bloco de Esquerda. No meio da batalha política, que não se esqueça o mais importante: proteger os alunos e os profissionais de ensino.

Quarta-feira, 2 de junho

A morte lenta de bares e discotecas

Com a taxa de incidência a subir e num dia em que foram anunciados mais 724 novos casos de covid-19 (o maior número desde 6 de abril), mas com os internamentos estabilizados e com a vacinação a avançar a bom ritmo (20% da população tem o processo completo), houve margem para outro passo no desconfinamento. Sem mexer na matriz de risco, mas protegendo (finalmente) os concelhos com menos população, foram alargados já a partir de dia 14 os horários da restauração, do comércio, dos espetáculos culturais, entre outras medidas. As piores notícias sobraram para os bares e discotecas, que terão de permanecer fechados até (pelo menos) final de agosto. Com o setor em agonia há tanto tempo, resta saber quantos é que ainda terão condições para reabrir depois do verão.

Quinta-feira, 3 de junho

De verde para amarelo. Um sério revés

Em menos de um mês, Portugal entrou e voltou a sair da lista de países para onde os britânicos podem viajar sem restrições. Uma notícia péssima para o turismo nacional, principalmente tendo em conta que Portugal era o único país da UE que fazia parte na lista verde. O governo britânico fala numa "decisão difícil", que atribui a dois motivos principais: o aumento da taxa de positividade e a incerteza gerada por ter sido identificada em Portugal uma "espécie de mutação do Nepal da chamada variante indiana" do vírus que provoca a covid-19. O MNE português reagiu considerando que foi "uma decisão cuja lógica não se alcança". Os hoteleiros desesperam e confirmam o que se temia: no próprio dia da notícia já havia "cancelamentos de reservas em catadupa".

Sexta-feira, 4 de junho

Vacinação e UCIs. O foco da atenção

Os números revelados ontem pela DGS voltaram a mostrar o crescimento da taxa de incidência e do R(t). Esta dupla subida é preocupante na medida em que estes são os principais critérios definidos pelo governo para se avançar ou recuar no desconfinamento. Há que manter a guarda para evitar um penoso passo atrás. Mas, ao mesmo tempo, saber evitar alarme social, pois estas subidas devem ser enquadradas com dois aspetos fundamentais: a vacinação, que diminui a transmissão e a gravidade da doença, está prestes a chegar às faixas etárias dos 30 e 40 anos; e o número de internados a precisar de cuidados intensivos permanece estável - desde 18 de maio que não ultrapassa os 60, uma pequena fração dos 904 que chegaram a estar em UCIs a 5 de fevereiro. A possibilidade de uma nova crise nos hospitais é, neste momento, remota.

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