Covid-19. Dois casos em Portugal contaminados pelos primeiros doentes diagnosticados

Há mais dois portugueses infetados com coronavírus. Ao todo, há quatro casos e estão todos ligados. Esta quarta-feira foi conhecido mais um. Especialistas explicam que é uma evolução normal da situação.

Ao segundo dia, terça-feira, mais dois casos confirmados de covid-19 em Portugal. Um homem de 60 anos, internado no Hospital de São João, no Porto, e um outro de 37 , em tratamento no Curry Cabral, em Lisboa.

De acordo com o que apurou o DN, estes dois casos têm ligação aos dois primeiros diagnosticados - um médico de 60 anos, que esteve de férias em Itália, e se encontra internado no Hospital de Santo António, no Porto, e um comercial de 33 anos que esteve de viagem de trabalho a Valência, Espanha.

A mesma fonte referiu ao DN que os doentes estão estáveis e que se trata de casos de doença ligeira. No entanto, a Direção-Geral da Saúde (DGS), apesar de referir que ambos os casos estão ligados a um caso positivo com covid-19, não esclarece a que qual, se ao médico que passou por Itália se ao comercial que esteve em Valência. A DGS não esclarece também se são casos que estiveram em viagem com estes primeiros doentes diagnosticados ou se já foram contaminados em Portugal.

Dados que a DGS disse ao DN não poder fornecer por se tratar de informação que está ao abrigo da proteção de dados. Embora tal informação seja fornecida por todos os países à Organização Mundial da Saúde (OMS) que os tem divulgado no seu site oficial. Na verdade, embora os dados da OMS reportem sempre ao dia anterior, incluem a designação de quantos casos são importados e quantos são de contaminação interna.

Já esta quarta-feira, foi diagnosticado mais um doente infetado com o novo coronavírus, elevando para cinco o número de casos positivos de Covid-19 no país. Trata-se de um homem de 44 anos, "que veio de Itália e está no Centro Hospitalar Universitário de São João", confirma a Direção-Geral de Saúde. "A situação clínica está estável."

Se as regras forem cumpridas será possível evitar o alastrar da doença.

Especialistas na área da pneumologia explicaram ao DN que o facto de se saber se são casos de contaminação local - ou seja, que já contraíram a doença no país - ou se são casos importados - contaminados fora - é importante, pois permite uma melhor monitorização da doença. "Depois destas situações diagnosticadas poderão ser rastreadas outras pessoas que estiveram em contacto com estes doentes e assim tentar travar-se o alastramento da doença", explicaram.

Os mesmos especialistas salvaguardam, contudo, que se pode considerar que a evolução de dois para quatro casos "é absolutamente normal" e que Portugal está a fazer o caminho de outros países europeus.

Por exemplo, Espanha veio nesta terça-feira assumir a primeira morte por covid-19, uma morte ocorrida a 13 de fevereiro, mas começou por registar apenas um caso a 24 de fevereiro, em Tenerife, um italiano da região da Lombardia, ao segundo dia não registou casos, ao terceiro teve mais um e ao quarto é que passou para os 12 casos.

França teve também uma evolução idêntica, embora com mais casos de infeção, 204, e mais mortes, quatro até agora, do que Espanha.

Só Itália continua a ser a exceção na Europa e no mundo também. Começou com quatro casos a 20 de fevereiro, passando para 21 no dia seguinte e ao terceiro dia logo para 79 casos, e alguns logo em situação grave. Ao quarto dia passou para 167 casos e ao quinto para 229. Neste momento, é o terceiro país com maior número de infetados (2502) e já 79 mortes, depois da China, com 80 152 infetados e quase três mil mortos desde o final de dezembro de 2019, e da Coreia do Sul, com 5186 infetados e 34 mortes. O quarto é o Irão com 2336 infetados e 77 mortes. De referir que na China o número de casos de infetados e de mortes começa a reduzir diariamente. De acordo com a OMS, no dia 2 de março a China registou 196 casos de infeção e 40 mortes. Um número longe das primeiras semanas da doença.

Egas Moniz e Garcia de Orta no plano de apoio ao covid-19

Neste momento, há três centros hospitalares acionados para receber doentes com covid-19. São o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), que inclui os hospitais de São José, Curry Cabral, Capuchos e o pediátrico Dona Estefânia, e o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, com os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente. No Porto, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, que integra os hospitais de São João e Santo António, é a unidade de referência.

Mas já há mais unidades definidas para o caso de se passar para uma segunda e uma terceira fases da doença. Numa situação destas serão acionados o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, com os hospitais Egas Moniz, São Francisco Xavier e Santa Cruz e o Hospital Garcia de Orta. No norte, serão ativados todos os hospitais para apoiarem o São João e o Santo António.

Por indicação do governo todas as empresas públicas e privadas têm cinco dias para definir planos de contingência, o que já foi assumido pela Assembleia da República e por outras entidades privadas. A nível das escolas o diretor da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas sublinhou ao DN não haver motivos para alarmismos.

O presidente da Confederação das Associações de Pais referiu igualmente não haver motivo de preocupação nas escolas, já que as regras definidas pela DGS estão a ser cumpridas. Jorge Ascenção mostrou-se preocupado com uma questão: a das viagens de finalistas já pagas pelos alunos e sem garantia de que serão reembolsadas no caso de serem canceladas, uma vez que está em causa uma situação de saúde pública.

Faculdade de Ciências Médicas rastreou alunos de Erasmus e portugueses que viajaram para zonas afetadas. Nenhum caso deu positivo.

As faculdades portuguesas também já informaram que têm planos de contingência que vão ser revistos conforme a evolução da doença, nomeadamente as universidades Nova de Lisboa e Clássica. Quanto à Universidade Nova de Lisboa, o DN sabe que a Faculdade de Ciências Médicas rastreou todos os estudantes de Erasmus que acolhe na sua instituição e outros estudantes portugueses que estiveram de viagem a zonas afetadas. Ao todo, foram rastreados 30 estudantes. "Nenhum apresentou sinais da doença. Alguns foram aconselhados a manter-se em casa durante uns dias para ver se manifestavam sinais, mas tal não aconteceu", afirmaram ao DN..

Nos últimos dias, os apelos para que sejam seguidas as regras definidas pela DGS como medidas de higiene básicas - lavagem de mãos constante, o não espirrar para as mãos, o distanciamento social - e em caso de sintomas, como febre, tosse, fadiga e dificuldade respiratória, contactar a Linha de Saúde 24 808 24 24 24 e não se dirigir a um serviço de urgência, não têm cessado.

Desde o primeiro-ministro ao Presidente da República têm sido muitos os que têm alertado para o facto de não ser aconselhável a realização de viagens de finalistas. Mas outras entidades, na área da saúde, dos espetáculos, do desporto e empresarial, também já solicitaram que os eventos de massas agendados para os próximos tempos sejam adiados.

No entanto, a DGS continua a reafirmar que não se deve entrar numa onda de alarmismo. O certo é que material de proteção, como máscaras e líquido desinfetante, já esgotaram nas farmácias portuguesas. A OMS também se manifestou preocupada nesta terça-feira com o esgotamento rápido de reservas de equipamento de proteção. A OMS estima que, por mês, sejam necessários no mundo mais de 89 milhões de máscaras cirúrgicas, 76 milhões de luvas e 1,6 milhões de óculos de proteção. A sua falta pode colocar em risco de contágio profissionais de saúde, médicos e enfermeiros que cuidam de doentes infetados pelo novo coronavírus.

Ao fim de dois meses, o covid-19 já infetou mais de 92 mil pessoas em 61 países e provocou mais de três mil mortes, mas já contabiliza também quase 48 500 mil infetados que recuperaram. A OMS continua a considerar não haver motivo para decretar uma situação de pandemia.

[Noticia alterada às 09:20 confirmando o quinto caso de covid-19 em Portugal]

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