Premium Enfermeiros já admitem levar greve até às eleições de outubro

Com as posições extremadas, Associação Sindical dos Enfermeiros equaciona a hipótese caso não haja abertura do governo para negociar. Braço-de-ferro vem já desde novembro.

A segunda greve cirúrgica dos enfermeiros dura há três dias e as posições estão cada vez mais extremadas. Se de um lado o governo admite usar todos os meios legais para travar esta paralisação, referindo-se à requisição civil, com o primeiro-ministro, António Costa, a apelidar as greves cirúrgicas de "selvagens" e "ilegais", já do lado dos enfermeiros admite-se a possibilidade de prolongar o protesto até às eleições legislativas de outubro.

Esta é, pelo menos, uma possibilidade que está a ser equacionada pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), uma das estruturas sindicais que convocaram a greve às cirurgias programadas. "Está a ser apreciado em reunião da direção da ASPE e, seja qual for a decisão que for tomada, não vai ser pública até o momento em que se se concretize. É verdade que o assunto está em cima da mesa", admite ao DN Lúcia Leite, presidente da ASPE.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

E uma moção de censura à oposição?

Nos últimos três anos, o governo gozou de um privilégio raro em democracia: a ausência quase total de oposição. Primeiro foi Pedro Passos Coelho, que demorou a habituar-se à ideia de que já não era primeiro-ministro e decidiu comportar-se como se fosse um líder no exílio. Foram dois anos em que o principal partido da oposição gritou, esperneou e defendeu o indefensável, mesmo quando já tinha ficado sem discurso. E foi nas urnas que o país mostrou ao PSD quão errada estava a sua estratégia. Só aí é que o partido decidiu mudar de líder e de rumo.